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abr 08 2008

Unified Communications – Parte I

Amigos, esta é a primeira parte de uma série que trata sobre o assunto Unified Communications.

Alguns de vocês já devem ter ouvido o termo “Unified Communications” (UC), ou Comunicações Unificadas… afinal, do que se trata? Basicamente, estamos falando de convergência. UC é o caminho para unificação de todos os meios de comunicação em um único “pacote”. Teríamos então voz, vídeo, dados, e-mail e quaisquer outros meios existentes convergindo para uma única plataforma integrada.

Hoje, os principais players do mercado que apostam nesta tecnologia seriam a Cisco, Avaya, Nortel e Microsoft. Cisco e Microsoft, há pouco tempo atrás, eram parceiras. Ao perceber que poderia participar do jogo por conta própria, a Microsoft resolveu romper a parceria com a Cisco e declarar guerra. E a briga não vai ser pequena.

Os produtos de UC desenvolvidos pela Microsoft são bastante interessantes, e prometem dar muita dor de cabeça aos outros “players” deste sofisticado jogo. Por hora, foquemos no que a Cisco tem a oferecer.

Não é possível falar de UC sem antes mencionar as soluções de voz – carro chefe, hoje, das soluções unificadas. A porta de entrada para a convergência inevitavelmente é sistema de telefonia. Tradicionalmente, voz (telefonia) e dados trafegam em redes distintas. O melhor exemplo: Em sua mesa, você tem um cabo para o telefone, e outro para seu PC. Para transmitir voz sobre a rede de dados temos que transformar voz em… dados! Simples!!! Bom, e COMO fazemos isso???

(BEM) Resumidamente, 2 passos devem ser seguidos:

Na origem:

  1. O tráfego analógico de voz deve ser digitalizado e, preferencialmente, comprimido
  2. O resultado deve ser segmentado e encapsulado em um datagrama IP, para ser transportado pela rede de dados

No destino:

  1. O tráfego original deve ser removido do datagrama IP e remontado
  2. O tráfego de voz deve ser descomprimido e novamente convertido para sinal analógico

Em uma rede de telefonia convergente, estes passos podem ocorrer em basicamente duas arquiteturas distintas:

A primeira é chamada rede VoIP (voz sobre IP). Neste caso, o sistema de telefonia interno da empresa segue sendo o sistema tradicional (conhecido como TDM – Time Division Multiplexing). Temos, portanto, um PABX tradicional, separado da rede de dados. O ponto de convergência é a saída da rede, onde o tráfego de voz é convertido para dados e enviado para outra localidade, via rede WAN (Wide Area Network). Para que isso funcione, é necessário o elemento Voice Gateway, um dispositivo que tem uma “perna” na rede tradicional de telefonia (PABX, no exemplo), e outra no mundo de dados. Este elemento será responsável pelos passos 1 e 2 tanto na origem quanto no destino (sim, é preciso ter um par, ao menos).

Veja a figura abaixo.

voip.gif

Neste exemplo, chamadas do Site A com destino ao Site B são realizadas via rede de dados. Isso pode ser interessante se o site A encontra-se em uma cidade, e o site B, em outra. Gera-se uma economia em interurbanos site-to-site. Isso seria ainda mais interessante se tivéssemos o site A em um país, e o site B em outro 😉 ! No entanto, chamadas locais (para a casa de um dos funcionários, por exemplo), segue pela rede pública de telefonia tradicional (PSTN), já que não faz sentido este tipo de chamada seguir via VoIP, certo? Na próxima parte eu vou comentar a outra arquitetura, conhecida como IPT (IP Telephony).

Espero que tenham achado interessante até aqui! Vou tentar manter uma linguagem mais genérica e menos técnica, por hora.

Abraços!

Marco.



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16 comentários

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  1. Claudio Marcolino

    Muito bom ! Este tema em particular é meu preferido, venho me dedicando a este tipo de solução a algum tempo, por isto apos a conquista do ccna vou atrás do ccvp. Tenho usado Asterisk pra construção se PABX IP é open souce e sincerametne a ferramenta faz de tudo de Call center a Call back. Voicemail, ura, musiconhold etc… temos placas E1 da Digium para ISDN ou E1 da Digivoice para R2…

    Continua assim vamos conhecer o que a Cisco nos reserva para este mercado.

    Um abraço,

    Claudio Marcolino

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  2. ferrugem

    Olá Marco .. Legal o post.. é um assunto bastante interessante!!! Gostei da linguagem como apresentou

    Sinceramente eu nunca tinha escutado este termo “Unified Communications” (UC).. Somente o conhecia como convergência.. Preciso de me inteirar mais destes termos.. Mas como você disse, basicamente é a tão falada convergência!

    Na empresa onde trabalho, passamos por um processo onde trocamos toda nossa estrutura de voz analógica, por voz sobre IP, VOIP. Hoje todos os nossos pontos de ramal são digitais, uns com telefones IPs e outros com IP Agent (softphone da AVAYA) instalado nas máquinas. Quando é um aparelho físico que fica na posição, este recebe o sinal via cabo de rede, e deste aparelho que sai um outro cabo de rede para a máquina. E neste caso o switch tem que fornecer energia para os aparelhos.

    Nesse exemplo que você deu, dos sites A e B, internamente eles ainda se falam analógicamente neh?! A comunicação só é digital entre os sites, não é isso? Quando você comentou sobre a outra arquitetura, o IPT, seria esta situação que descrevi, não é isso? Corrija-me por favor se eu estiver equivocado!!! 😀

    Abraços!!!

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  3. Rafael Carvalho

    Legal…estou estudando para as certificações CCVP
    Primeira prova será a de QOS, já tenho alguns livros em PDF.
    Alguem já fez essa prova tem alguma dica ? Vai ser minha segunda prova da Cisco. Tirei CCNA em março.
    Ja mandei metade de um Cisco Press de QOS.
    Estou entrando no mercado de trabalho agora, por enquanto experiência na área é minima. Aqui em Belo Horizonte falta de experiência é um problema gigante hehehe
    Vi o reply do Claudio a respeito do Asterisk, já fiz um curso sobre ele e pesquisei bastante. Até tentei implantar na empresa da minha família e usei como apresentação na faculade do meu estágio.
    Por se tratar de uma ferramente open source, estive pensando em criar algum tipo de serviço para auxiliar pessoas com menor poder aquisitivo. Porém ainda n tenho nem ideia por onde começar nem que tipo de serviço. Também existe um router opensource chamado Vyataa que parece ser muito bom, porém ainda n experimentei. Pelo que li o Asterisk e a Vyatta irão fazer uma parceria. Bom…é isso ai…se alguém tiver alguma sugestão poderiamos discutir isso.

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  4. Marco Filippetti

    Ferrugem, aqui temos que ter outra definição… 😉

    Os equipamentos PABX podem controlar tanto chamadas analógicas quanto digitais (ou ambas). Digital não significa IP. Podemos ter a digitalização da voz (que é analógica por natureza) sem transmiti-la por uma rede de dados (como ocorre com a rede pública de telefonia, onde o sinal é totalmente digitalizado). É importante termos esta distinção 😉

    No exemplo que eu menciono no post, internamente eles utilizam o sistema de telefonia tradicional (conhecido por “TDM”). Apenas a comunicação inter-sites é VoIP. O caso que você menciona (onde o PABX tradicional e os aparelhos telefônicos são substituídos por equipamentos IP), como você mesmo mencionou, caracteriza a arquitetura IPT (IP Telephony), que eu vou mencionar na parte 2 deste post 🙂

    Marco.

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  5. alamon71

    senhores devo admitir que este me deixou empolgadão, pois tirei o CCNA recentemente e já cai no CCVP de levinho.
    Marco, por favor de atenção a este assunto, aproveito para levantar a idéia sobre a criação de um grupo de estudos, focado no assunto, imagino que a maioria da galera esteja próxima a São Paulo. Imagino que conhecimento em VOIP será muito útil, principalmente quando o governo liberar o WIMAX, creio que não só a telefonia mas trafego de dados irá baratear bastante e quem souber implantar ´´ficará bonito na foto“.

    Aew Ferrugem essa vai para vc, me corrise estiver errado.

    Na telefonia tradicional digitalizada, o sinal de voz é filtrado em 4Khz, esse sinal analógico é dividido (amostrado) em 8000 partes, na qual cada partezinha é convertida em sinal digital através de uma codificação de 8 bits, sendo assim a banda mínima para trafego de voz ficou definido em 8×8000 = 64Khz. Com essa técnica praticamente eliminou o problema de soma de ruído cada vez que o sinal analógico era amplificado para transmissão a longa distância.

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  6. Marco Filippetti

    Perfeito Alamon! É isso mesmo. Para complementar: A banda mínima para transmissão da voz digitalizada (64K) é chamada de DS0 (Digital Signal 0).

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  7. ferrugem

    Show de bola Alamon!!! Caiu de levinho no CCVP foi boa!!! 😀

    Também vejo o CCVP como uma boa vertente.. Assim que eu concluir o CCNA pretendo ir pra CCVP também.. Mas ainda estou com algumas dúvidas de como as coisas vão acontecer … A parte de ficar bonito na foto foi boa também!!!

    Assim que eu tirar o CCNA agente troca uma idéia melhor sobre o CCVP!!! Abraços cara!!!

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  8. vstrabello

    Também procuro tirar o CCNA pra fazer o CCVP! Onde eu fazia estágio (na célula da Cisco, da Fundação Bradesco…) trabalhei bastante com Telefonia IP da Cisco, embora que em um ambiente pequeno, hehe… Com um Cisco CallManager, um 1700 com FXO e uma meia dúzia de Telefones IP e, no caso de soluções Open Source, comecei a aprender sobre VoIP/IPT com o Asterisk mesmo. Até integrei o Cisco CallManager com o Asterisk, fazendo um trunk entre eles com o SIP. Ficou massa! Marco, é interessante citar o SRST, é uma coisa que acho muito interessante no ambiente de IPT da Cisco.

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  9. Fabiano Senna

    Ótimo!! Inclusive estarei implantando uma solução UC da cisco na empresa em que trabalho. Este assunto será de grande valia para meu desenvolvimento.

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  10. Italo Amaral

    Parabéns Marco! Espero ajudá-lo em breve com alguma coisa,

    Gostaria apenas de fazer uma pequena consideração sobre a figura dos roteadores, pois essa trata-se de CCME (CallManagerExpress), na realidade bastava apenas roteadores com PVDM (Packet Voice/Data Module) para ocorrer o VoIP. A figura seria representada por um roteador com um “V”.

    CCME (CallManagerExpress) é o PABX IP da Cisco para SMB (Pequenos e Médios Negócios), ele é usado principalmente em soluções onde há sites distribuídos de Telefonia IP.

    Para quem quer partir para trilha do CCVP dou total apóio, vale a pena e deixo umas dicas: CVOICE é a prova mais fácil, QoS é um assunto que você deverá dominar – ele é como a base para tudo, as maiores dificuldades talvez serão com o GK (gatekeeper), pois os labs são crueis e também as resoluções de problemas não são nada fáceis. Lembrando que hoje já é possível tirar o CCVP sem precisar fazer o exame GWGK. Se for possível, busque estudar integrando com soluções de outros fabricantes, é uma boa! Esse UC da Microsoft é realmente muito bom, sendo que está longe de bater o Asterisk!!! 😀

    Italo Amaral

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  11. Italo Amaral

    vstrabello,

    O SRST (Survivable Remote Site Telephony) já entrou em desuso, pois hoje em dia o CCME já suporta tudo do SRST.

    Italo Amaral

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  12. Marco Filippetti

    Oi Italo, obrigado!! Uma observação… até onde eu sei, SRST é uma versão menos anabolizada do CCME (Cisco Call Manager Express), e por este motivo, bem mais em conta (licença). Nós ainda usamos o SRST em projetos para clientes, e a Cisco ainda disponibiliza os bundles com a opção SRST.

    Abs!

    Marco.

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  13. vstrabello

    Ítalo,

    Até pelo que eu sei (e li nas docs do site da Cisco…) o SRST geralmente é usado em implementações centralizadas, onde se tem um cluster do Cisco CallManager localizado em apenas um lugar, como na matriz de uma empresa, por exemplo. Os sites onde ficam as filiais usam a WAN para contactar o Cisco CallManager para registrar os Telefones IP, realizar o processamento de chamadas, sinalização e outros serviços relacionados ao ambiente de IPT. Por ser assim neste tipo de implementação, há o problema de um desses sites (as filiais) perderem a conecrtividade com a WAN e os Telefones IP consequentemente perderão o contato com o CallManager, que está no site central. Os Telefones IP enviam pacotes “keepalive” para ver se o CallManager está disponível através da WAn e após as tentativas sem sucesso, se registram em um roteador com SRST habilitado. Isso eu vi também num workshop que tive no meio de 2005.

    Eis aqui um FAQ sobre ele:
    Cisco Unified Survivable Remote Site Telephony [Cisco Unified Survivable Remote Site Telephony] – Cisco Systems:
    http://www.cisco.com/en/US/prod/collateral/voicesw/ps6788/vcallcon/ps2169/prod_qas0900aecd8028d113.html

    Também acho interessante esse lance de integração com outros fabricantes, Quando tive que aprender VoIP/IP Telephony, acabei conhecendo o Asterisk, mesmo sabendo que ia pra célula da Cisco ;). Daí fiz algumas experiencias integrando o Asterisk junto com o CallManager v.4.1. Ficou massa. Consegui integrar com o voicemail e habilitei o MWI entre essas duas implementações. No site da Cisco pode-se encontrar docs sobre integração com outros fabricantes:

    Cisco Interoperability Portal – Cisco Systems:
    http://cisco.com/go/interoperability

    Abraços a todos

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  14. Italo Amaral

    vstrabello,

    Perfeito, sendo que não quis dizer que o SRST está descontinuado e sim entrou em desuso, pois hoje em dia usa-se o CCME. Ambos possuem o mesmo preço comercialmente e se você for notar o CCME consegue fazer todas as funcionalidades do SRST, além de ser PABX IP.

    Abraço,

    Italo

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  15. ricardobarbosams

    Ola,

    Parabens marco muito bom o seu artigo, somente tive uma dúvida no comentario do alamon falando da banda mínima para transmissão da voz digitalizada que é 64 que é feita aquela amostragem em 8×8000, etc e possivel ter uma banda mínima para transmissão da voz digitalizada menor que 64k?

    Abraços

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  16. Marco Filippetti

    Ricardo, para transmissão de voz digitalizada, o mínimo seria mesmo 64Kbps. Mas não confunda DIGITALIZADA com IP. São conceitos distintos.

    Abs!

    Marco.

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