“Testes de Mesa” aplicados a Redes
Postado por: Marco Filippetti em Tutoriais, Artigos, Dicas -
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Pessoal, no decorrer das acaloradas discussões originadas pelo II MEGA DESAFIO, pensei que seria uma boa idéia escrever um post sobre o assunto “Teste de Mesa”. Afinal, do que se trata?
Eu notei que muitos começaram a levantar o cenário do II-MD cerca de 2 segundos depois que o post entrou no ar
Isso é um grande erro, especialmente em redes de computadores! Não se pode sair configurando algo que não se compreende completamente. Em redes reais, em produção, isso pode ocasionar uma catástrofe (sem exageros). Por isso, o tema deste post.
Podemos chamar de “Testes de Mesa” o conjunto de ações realizadas com o objetivo de testar se uma determinada ação produzirá a reação esperada. Bom, pelo menos esta seria a minha definição
. Testes de Mesa são amplamente utilizados na área de Engenharia de Software, para verificar se um determinado algoritmo (ou fragmento de software) realmente funcionaria conforme o esperado. Este tipo de teste é feito fora do ambiente real.
O que vou mostrar para vocês é uma técnica - que eu emprego - para aplicar estes “Testes de Mesa” na área de Redes de Computadores. A aplicação de Testes de Mesa nesta área, portanto, envolve verificar - artificialmente (ou “no papel”) - qual seria a “saída” produzida por uma determinada “entrada”. Por exemplo, se um “PING” for gerado em um ponto da rede com destino a outro ponto, ele chegará ao outro lado? E se chegar, o reply enviado pela outra ponta alcançará de volta o ponto de origem? Eu, por exemplo, aplico esta técnica utilizando lápis e papel mesmo. É rápido, prático, e me ajuda a compreender a rede como um todo. Em casos mais complexos, utilizo um simulador, se necessário.
(você precisa estar logado para ler o resto deste post)
Espero que tenham gostado do exercício! Acostumem-se a aplicá-lo nos próximos MDs… e em suas vidas como engenheiros de redes
Este tipo de teste já me livrou de poucas e boas
Abraços!!
Marco.
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Posts
8 de May de 2008 às 12:38 am
Putz!!! Se eu tivesse feito isso!!! Parece tão simples agora hahahahaha!!! Bom post Marco! Obrigado!
8 de May de 2008 às 1:00 am
Este II-MD realmente foi muito bom pra visualizar muitas situações em nosso dia-a-dia, seja como entendimento do problema ou como ação a ser tomada, e como mostrou agora uma visão sistematizada e planejada da ação sem dúvida torna o entendimento do problema muito mais claro!!
Os detalhes esclarecidos aqui já me tiraram muitas dúvidas do funcionamento deste cenário, mas ainda permaneceu uma dúvida para mim: quanto ao comando no PC!!
Quando configurei a loopback aqui no meu PC coloquei como defult gateway o endereço IP da interface F0/0 R1 (192.168.0.2), ou seja todo tráfego gerado em minha máquina já não iria para R1?!?! Esta é a única dúvida que fiquei!
Abraços,
CR.
8 de May de 2008 às 1:02 am
Bela explicação Marco. Fiz exatamente isso no papel só que esqueci da Rota do Pc para R1. Mas valeu mais um apreendizado.
8 de May de 2008 às 1:04 am
Somente uma duvida Marco. Os comandos network no R3,não poderiam ser digitados somente com network 10.0.0.0 e 11.0.0.0 ou network 10.10.60.0 e network 11.10.9.0 sem conter mascaras respectivas?
8 de May de 2008 às 2:27 am
Nunca mais esqueço isso.
Na hora do troubleshooting, são tantas opções que vc precisa de um roteiro para não se perder com tantas alternativas.
Muito bom Marco !
Sds.
Márcia Guimarães
8 de May de 2008 às 7:21 am
Muito Bom Marco !!!!
Mas tenho algumas dúvidas.
- Qual a funcionalidade da rota do pc ? O que o CR fez não funcionaria também ?
- A rede entre R1 e R2 seria mostrada na tabela de topologia do EIGRP ??
Obrigado pelas dicas Marco !!
8 de May de 2008 às 8:15 am
Muito bem explicado!
Parabéns Marco!
8 de May de 2008 às 9:19 am
Thiago / CR…
O que o thiago fez, por si só, não resolve. O que ocorre é o seguinte: Você cria a interface Loopback no PC e coloca o R1 como DGW. ATé aí tudo bem. Mas não se esqueçam que seu PC já tem uma interface configurada com um DGW: A Interface FastEthernet dele. Vejam como ficaria, então, fazendo apenas pelo método do CR:
C:\WINDOWS\system32>route print
==========================================================
Interface List
0×1 ……………………… MS TCP Loopback interface
0×70002 …00 13 ce 5d 6e d6 …… Intel(R) PRO/Wireless 2200BG Network Conn
ion
0×70004 …02 00 4c 4f 4f 50 …… Microsoft Loopback Adapter
==========================================================
==========================================================
Active Routes:
Network Destination Netmask Gateway Interface Metric
0.0.0.0 0.0.0.0 192.168.0.1 192.168.0.2 30
0.0.0.0 0.0.0.0 192.255.255.254 192.255.255.3 30
127.0.0.0 255.0.0.0 127.0.0.1 127.0.0.1 1
192.168.0.0 255.255.255.0 192.168.0.2 192.168.0.2 30
192.168.0.2 255.255.255.255 127.0.0.1 127.0.0.1 30
192.168.0.255 255.255.255.255 192.168.0.2 192.168.0.2 30
192.255.255.0 255.255.255.0 192.255.255.3 192.255.255.3 30
192.255.255.3 255.255.255.255 127.0.0.1 127.0.0.1 30
192.255.255.255 255.255.255.255 192.255.255.3 192.255.255.3 30
224.0.0.0 240.0.0.0 192.168.0.2 192.168.0.2 30
224.0.0.0 240.0.0.0 192.255.255.3 192.255.255.3 30
255.255.255.255 255.255.255.255 192.168.0.2 192.168.0.2 1
255.255.255.255 255.255.255.255 192.255.255.3 192.255.255.3 1
Default Gateway: 192.168.0.1
==========================================================
Persistent Routes:
None
Notem que temos 2 rotas default: Uma apontando para o R1 (192.168.0.1), e outra, apontando para o GW da FastEthernet (192.255.255.254), ambos com a mesma métrica. Resultado, o Windows não balanceia. Ele seleciona uma rota. No caso, ele escolheu a que tem o router R1 (192.168.0.1) como DGW. Como consequência, minha conexão de rede foi perdida:
C:\WINDOWS\system32>tracert www.terra.com.br
Tracing route to www.terra.com.br [200.176.3.142]
over a maximum of 30 hops:
1 * * * Request timed out.
2 * * * Request timed out.
O correto, portanto, é adicionar uma rota mais específica no seu PC, apontando para o DGW R1:
C:\WINDOWS\system32>route add 10.10.60.0 mask 255.255.255.0 192.168.0.1
C:\WINDOWS\system32>route print
==============================================
Interface List
0×1 ……………………… MS TCP Loopback interface
0×70002 …00 13 ce 5d 6e d6 …… Intel(R) PRO/Wireless 2200BG Network Con
ion
0×70004 …02 00 4c 4f 4f 50 …… Microsoft Loopback Adapter
==========================================================
==========================================================
Active Routes:
Network Destination Netmask Gateway Interface Metric
0.0.0.0 0.0.0.0 192.255.255.254 192.255.255.3 30
10.10.60.0 255.255.255.0 192.168.0.1 192.168.0.2 1
127.0.0.0 255.0.0.0 127.0.0.1 127.0.0.1 1
192.168.0.0 255.255.255.0 192.168.0.2 192.168.0.2 30
192.168.0.2 255.255.255.255 127.0.0.1 127.0.0.1 30
192.168.0.255 255.255.255.255 192.168.0.2 192.168.0.2 30
192.255.255.0 255.255.255.0 192.255.255.3 192.255.255.3 30
192.255.255.3 255.255.255.255 127.0.0.1 127.0.0.1 30
192.255.255.255 255.255.255.255 192.255.255.3 192.255.255.3 30
224.0.0.0 240.0.0.0 192.168.0.2 192.168.0.2 30
224.0.0.0 240.0.0.0 192.255.255.3 192.255.255.3 30
255.255.255.255 255.255.255.255 192.168.0.2 192.168.0.2 1
255.255.255.255 255.255.255.255 192.255.255.3 192.255.255.3 1
Default Gateway: 192.255.255.254
==========================================================
Persistent Routes:
None
Abraços,
Marco.
8 de May de 2008 às 9:21 am
Thiago, a rede entre R1 e R2 seria apresentada como uma das saídas do comando “sh ip route”, por exemplo, no roteador R3.
Abs!
Marco
8 de May de 2008 às 9:24 am
Cleber, do modo como foi configurado, as máscaras não seriam necessárias no network do EIGRP. Porém, lembre-se que o EIGRP é um protocolo CLASSLESS. Por default, ele sumariza as redes como Classful, mas se o parâmetro “no auto-summary” estiver habilitado, ele utiliza as informações de máscara de rede. No exemplo, o comando não foi utilizado e, portanto, as máscaras colocadas são desprezadas.
NOTA: Em uma rede descontígua, este tipo de configuração não poderia ser utilizado.
Abs!
Marco.
8 de May de 2008 às 10:48 am
Marco, ótimo post. De fato isso ajuda bastante. Aqui no trabalho sempre tentamos fazer algo parecido, seja antes de aplicar uma ACL ou de mudar algumas rotas, justamente para não interromper o serviço e não termos problemas.
Valeu…
8 de May de 2008 às 10:50 am
Marco,
Eu pensei em usar a engenharia reversa … hehe
coloquei o ip na fast do R1 –> 10.10.60.20
e na minha máquina ficou 10.10.60.21
Consigo pingar para o R1 e acessar a internet sem precisar criar rota ou loopback
Não consegui acessar os R3 pq ainda esta faltando a configuração no meu Modem que esta roteado, no entanto esse primeiro passo poderia dar certo ?
8 de May de 2008 às 11:01 am
Muito bom Marco! Parabéns!
Abraços!
Fábio A. de Amorim
8 de May de 2008 às 12:47 pm
Excelente, esta dica realmente ajuda muito. Não adianta nada ir afoito tentar configurar tudo sem antes fazer um planejamento. Muito bom, esqueci completamente das rotas. =( Mas vivendo e aprendendo, não esqueço mais. =)
8 de May de 2008 às 2:40 pm
Parábens Marcos, muito bom mesmo.
O planejamento é um ítem crucial em qualquer projeto de redes.
Ou melhor, sem planejamento não há um projeto…;)b
Abraços!
–
Fábio Melo
8 de May de 2008 às 3:51 pm
EXCELENTE!!!
Conforme nosso amigo Renato Silva já disse no chat, um dos melhores post já vistos Marco! Tudo muito bem explicado e muito bem detalhado! Parabéns mais uma vez!
Acredito que tudo na vida é questão de planejamento.. Mesmo às vezes as coisas não acontencendo conforme o planejado…
Ferrugem
8 de May de 2008 às 5:37 pm
Muito bom!!!
Eu sou uma pessoa extremamente visual, se eu não tiver um layout ou um cenário da rede ou parte dela fico todo perdido no processo. Pra ajudar eu uso um quadro branco de pincel atômico ou quando a coisa é mais detalhada corro pro Visio.
Excelente Post!!! Muito bem colocado. Acredito que este conceito seja fundamentel na nossa profissão.
Obrigado!
Claudio Marcolino
8 de May de 2008 às 6:23 pm
Simplesmente fantástico!!! É engraçado ver que, através de um desafio proposto, se consegue aprender o raciocínio e procedimentos que devemos ter analisarmos toda a estrutura da rede. O que se aprendeu neste post, pode-se adequar perfeitamente a um cenário empresarial. Em muitas ocasiões, as empresas não têm a documentação devidamente escrita e, por consequência, torna-se mais difícil conhecer toda a topologia física e lógica e os protocolos de uma rede. Na vossa opinião, quais são os conselhos a seguir caso este cenário se verifique?
Abraços
t_square
8 de May de 2008 às 8:18 pm
t_square, isso é mais comum do que se imagina… muitas vezes, temos que trabalhar com redes não documentadas (ou pobremente documentadas). Nestes casos, meu conselho é que você siga os passos de 1 a 5, propostos pelo post. Muitas vezes, você não precisa conhecer a rede na íntegra, mas uma pequena porção dela. Você deve procurar compreender esta pequena parte e, se for o caso, como ela se integra com o todo. Não vou dizer que não é trabalhoso… é muito trabalhoso! Envolve um levantamento, muitas vezes, colossal de informações. Mas este tipo de atividade é inerente ao dia-a-dia de um profissional de redes
Abs!!
Marco.
8 de May de 2008 às 9:47 pm
Muito bom Marcos essa dica que vc passou é muito valiosa para o dia a dia de um administrador de redes acrescentou bastante espero que vc tenha condições de colocar mais video aulas também são muito interessantes abraços
Leandro
8 de May de 2008 às 11:30 pm
O ser humano tem a mania de pensar tudo pelo modo mais dificil quandonão conhece algo.
As opções mais elementares são aqueles que conhecemos, que dominamos. Quando não sabemos como começar sempre pensamos pelo jeito mais dificil. Eu por exemplo sou assim (afinal sou humano hehehe). Às vezes falta o raciocínio. Ótima ajuda Marco vou levar esse tipo de raciocínio para o resto da vida.
21 de July de 2008 às 2:09 pm
Show de bola!!!
Parabens pelo artigo, de grande utilidade.
24 de July de 2008 às 4:25 pm
Nossa muito legal o post, seguindo esse padrão muitos problemas se resolverão..srsrss !
Valew !
24 de December de 2008 às 10:08 am
- Parabéns Marco, um bom exemplo e muito bem explicado .
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