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maio 28 2008

Trainee: Quando a arrogância supera o potencial

Pessoal,

Achei interessante esta nota que peguei em um dos grupos que participo sobre recrutamento e seleção ([email protected]).

[]s,

Ishida.


 Trainee: Quando a arrogância supera o potencial

por Adriana Gomes

Uma das queixas que tenho ouvido com freqüência e chamou minha atenção principalmente, em um Fórum de RH, no qual fui mediadora, diz respeito às atitudes dos jovens trainees. Não foram destaque, nessa ocasião, as competências técnicas, mas ao contrário, a arrogância e a prepotência de muitos deles, diga-se de passagem, muito bem graduados e saídos de escolas de primeira linha.


Esses jovens são tratados e levados a crer que fazem parte de uma elite melhor que o restante da humanidade, que serão os futuros líderes de grandes companhias e, assim tratados, sua conduta é complementar, mas muitas vezes a arrogância supera o talento e seu potencial. Sempre recorro ao dicionário para não cometer injustiças, por esta razão apresento a seguir a definição do Houaiss para arrogância: “qualidade ou caráter de quem, por suposta superioridade moral, social, intelectual ou de comportamento, assume atitude prepotente ou de desprezo com relação aos outros; orgulho ostensivo, altivez”.

Bem, quase nem precisaria continuar esse artigo com tamanha clareza de definição, mas o que me intriga é justamente a reclamação por parte dos líderes organizacionais e dos profissionais de RH que legitimam a situação e depois reclamam das conseqüências. Desde o início dos processos seletivos e a cada etapa eliminatória, são levados a crer que são feitos de matéria diferente dos seus oponentes desclassificados.

Em algumas faculdades, “formadoras de líderes”, esses jovens são levados a desenvolver técnicas, a conhecer fórmulas, realizar análises sobre retorno de investimentos, cenários, macroeconomia, tecnologias de informação, programas e sistemas de gestão e outros que tais, mas poucos são incentivados a desenvolver suas competências comportamentais, que o fazem precariamente nos botecos ao redor das faculdades. Poucos são os que conseguem se dar conta do universo em que estão inseridos ? Brasil ? com suas monstruosas diferenças sócio-econômicas-culturais e pensam que uma multinacional americana, por exemplo, vista como a preferência de 9 entre 10 estudantes universitários é a versão empresarial da Disney.

Depois de arduamente selecionados – sim, pois os processos são verdadeiras maratonas que levam meses – esses jovens recebem tratamento diferenciado. São recebidos com cerimônias e logo começam a gerar problemas de relacionamentos em 360 graus com as lideranças, pares, equipes, pois não entendem – até pela falta de maturidade, de experiência de vida, que o mundo não termina no seu umbigo; que as pessoas não existem apenas para servi-los; que o mundo é muito maior do que a escola que freqüentaram e que o mundinho asséptico e higiênico em que foram criados.

Demanda tempo capacitar as pessoas em relação ao respeito às diferenças, a mesma capacidade que leva grandes times à conquista de belos resultados. Mas esses jovens têm alguma dificuldade para lidar com essas diferenças e para perceber que a situação está mais para uma Torre de Babel do que para o tal alinhamento de idéias e valores tão amplamente divulgado. As pessoas são diferentes, falam diferente, têm valores diferentes e que não basta apenas a aplicação de fórmulas e conceitos, nem análise do ROE, senão que o maior investimento deve ser em conhecer as pessoas com quem se trabalha, ser e demonstrar-se humilde, estar aberto ao aprendizado, pois foi para isso que foram selecionados.

Devem estar dispostos a conhecer o universo alheio, pois a formação acadêmica por si, não contempla muitas vezes, ainda, outros saberes e tão pouco supera as experiências que só virão com os erros que certamente acontecerão. Até a frustração com as expectativas serve como aprendizado e para que a pseudo-superioridade caia por terra. É preciso ensinar aos jovens que errar faz parte do jogo, que não se ganha todas, mas que muitas vezes se aprende muito mais perdendo do que vencendo.

Fica um alerta aos profissionais que se envolvem com o processo de formação desses jovens trainees, e incluo nessa lista os professores de graduação, os profissionais de RH e até os pais, no seu importantíssimo papel de PAIS e orientadores de valores e atitudes que devem ser. Muitos pais, a exemplo dos noticiários escandalosos de jornais, legitimam e inflam o ego dos seus filhos planejando um futuro brilhante para sua prole e esquecem de olhar o presente, esquecem de ver o que acontece hoje ao seu redor.

Se quisermos um futuro com líderes mais conscientes, com maior capacidade para lidar com as diferenças – não por ser mais um modismo, mas simplesmente porque o mundo em que vivemos é constituído pelas diferenças e que sabendolidar com elas se vive melhor – é preciso educar e orientar para assim, quem sabe, nos livrarmos dos ditadores que pregam uma falsa igualdade visando apenas interesses próprios. Desta maneira, acredito que o produto final de alguns bem-intencionados Programas de Trainees possa ser a formação de líderes responsáveis em desenvolver seu potencial para agir positivamente na sociedade e inspirar seus colaboradores a demonstrar o melhor que o ser humano tem a oferecer.



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22 comentários

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  1. sergiombrg

    Boa tarde!

    Tenho que discordar com a generelização dos trainees deste texto. Não é exclusivo dos trainees essa arrogância comentada no texto. Eu sou trainee da GVT e te garanto que a nossa turma (trainees) não existe a arrogância, muito pelo contrário, estamos passando por todos setores da engenharia da GVT e a cada área que o pessoal aqui passa só escutamos elogios, claro que como o prórpio texto diz, existe essa arrogância em alguns trainees, mas isso não é exlusivo de trainees, todo mundo aqui sabe, ta cheio de analista, engenheiro, gerente, supervisor arrogantes. Não precisa ir muito longe pra ver, só não concordei muito de falar somente dos trainees, ficou a imagem que todos são arrogantes.

    Não quero criar polêmica, hehehehe mas foi meu ponto de vista, sou trainee e digamos q tomei as dores pela generalização dos “trainees arrogantes”.

    Att,

    Sergio Meyenberg Jr.

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  2. Bruno N. Paiuca

    Sou Trainee, e devo concorda que em alguns casos este post está correto, os Jovens de hj são egocentricos, e acham q são superiores aos, outros, mas isso infelismente não é privilégio de Estagiário, Trainee, Jovens, velhos e Etc…

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  3. Bruno N. Paiuca

    Porém isso não deve ser generalizado..

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  4. Rodrigo Farias

    É um banho de água fria pra os “manés” que se comportam desse jeito, mas como Bruno falou acima, isso não deve ser generalizado. Tem muito Trainee que não é assim

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  5. Plinio Monteiro

    Acredito que a idéia do texto não é generalizar, mas alertar para tal arrogância, existente, sim, mas não apenas na classe dos trainees como mencionado e sim de várias classes, na verdade não diria que é bem uma questão de classe, mas sim de personalidade, bom senso e respeito ao próximo. Sabe-se que muitos, por entrarem em condições diferenciadas, acabam por se julgarem “diferentes” e acabam entrando nesse “barco furado”.

    Algo que caberia bem para os que FAZEM parte desse time arrogante seria a frase do nosso craque Romário:

    “O cara mal entrou no ônibus e já quer sentar na janela!!!”

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  6. Ishida, ótimo post…obrigado por compartilhar esse texto com o blog!!!

    Quanto ao assunto, achei muito interessante, pois é a pura realidade. Muitos se acham superiores ao resto, pois são trainees, vejam que eu disse muitos, não são todos como foi falado acima. Não podemos generalizar um grupo inteiro por atitudes de poucos. Li o texto e percebi, assim como o Plinio, que o objetivo não era falar mal do trainee e sim mostrar o que ALGUNS trainees estão fazendo.

    Abs.
    Érik Voitic

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  7. Toguko

    Como o Plínio disse a idéia do texto não é generalizar…
    Alguns treinnes se doerão demais !!!

    Abraços, Rafael Venancio (Toguko)

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  8. ricardotimoteo

    Boa Noite,

    Toda generalização é injusta. Tanto que conheço Trainees que são ótimos e sabem se portar adequadamente, isso eu diria que vem de “berço”, más também conheço alguns que se enquadram perfeitamente no texto, acham que o mundo será dividido em 2 fases : Antes deles e Depois deles. Aos arrogantes e prepotentes quero deixar um provérbio muito antigo e verdadeiro :

    “A humildade precede a Honra, A Altivez de espirito precede a queda!”.

    Ricardo Timóteo
    SP

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  9. Marco Filippetti

    Pessoal, acho óbvio que a opinião do texto não é generalizada! Existem excelentes trainees e estagiários! Assim como existem profissionais experientes bons e ruins. É tudo uma questão de atitude! Mas legal ver que o post do Ishida-san gerou polêmica 😉 Polêmica é sempre interessante…!

    Abs moçada!

    Marco.

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  10. ferrugem

    Ishida, legal compartilhar conosco este artigo…

    Achei simplesmente fantástico este texto escrito pela Adriana Gomes…

    […]
    o mundo em que vivemos é constituído pelas diferenças e que sabendo lidar com elas se vive melhor..
    […]

    Acredito que toda a questão gira em torno do “respeito para com o próximo”, respeitando as todas as diferenças. É respeitar o próximo, independente de grau de escolaridade, nível social, do cargo que ocupa, etc..

    […]
    É preciso ensinar aos jovens que errar faz parte do jogo, que não se ganha todas, mas que muitas vezes se aprende muito mais perdendo do que vencendo.
    […]

    Como dizem, “errar é humano, persistir no erro, é burrice”!

    E só para terminar, o que seria do mundo se não fossem as polêmicas e as discussões?!?! 😉

    Abraços à todos,
    Ferrugem!!!

    “Juntos somos ainda melhores!!!”

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  11. Marco Filippetti

    Ferrugem, você está virando um filósofo!!! 🙂

    Abs!

    Marco.

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  12. CR

    rsrsrs esse é nosso WD-40 !!!

    Abs,
    CR.

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  13. Fabio Luiz Pagoti

    isso me fez refletir:
    por onde anda o treinee que deixou a Adriana tão irritada?

    humildade pessoal!!

    Fábio Pagoti

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  14. Rodrigo Falcão

    É galera, parece que todos concordamos que tratasse de alguns “manés”, até porque isso está profundamente ligado a personalidade do indivíduo, que se não tratada na hora ceta, só revela de forma mais explícita o perfil do mesmo.
    E como já foi mencionado, isso certamente não é um “privilégio” dos trainnes.

    Abrç!!

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  15. rafaelbn

    Concordo…

    Acredito que a intenção da autora do texto não foi pegar os trainees para Cristo. Mas, infelizmente, é uma coisa que é realidade. Existem muitos “profissionais” que por terem feito essa faculdade ou aquele curso, se acham donos da verdade e etc…

    Peço a permissão de todos para prolongar um pouco a discussão. Estou fazendo um curso de Linux em uma renomada empresa daqui do Rio. Um dos integrantes da turma, que é professor de um curso também de nome, outro dia me deixou pasmo. Em meio a um coffee-break com mais 16 profissionais da área, o zé ruela (só falando assim mesmo) contando os casos (lá das aulas dele) me vem falar que um dos seus alunos fez uma pergunta referente a matéria e o tal zé ruela encheu o peito pra falar que aquela era uma pergunta básica demais e que ele deveria procurar um curso de operador de computadores. E se recusou a dar a resposta…

    Bom. Fiquei revoltado com esse cidadão por dois motivos:
    1- Como ele se atreve a se chamar de professor?
    2- Em meio a esse Brasilzão, onde ainda existem pessoas que não sabem o que é um computador, nós aqui do blog somos privilegiados! Precisamos nos lembrar disso todos os dias! Temos que repetir isso todos os dias! Somos privilegiados!

    Enfim… Quis relatar isso porque acredito que o problema de arrogancia e etc pode ser um pouco mais grave do que parece. E nós, como PROFISSIONAIS que somos, devemos tentar combater esses espertalhões…

    Grande abraço a todos!
    E mão a obra!

    E lembrem-se: Somos privilegiados! 😉

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  16. A discussão está pegandoo fogo…hahahaha

    po Ferrugem…como o marco disse vc tah virando um filosofo…hehehehe 🙂

    Agora com o Rafaelbn eu vou ter que concordar que…principalmente em cursos da área tecnica que são mais avançados…sempre…mas sempre tem um “zé ruela” como disse nosso amigo, pra perturbar e falar dos “grandes” feitos dele e para dizer que é o “bom” da coisa.

    Humildade antes de mais nada…ainda mais em um ambiente profissional.

    []’s
    Érik Voitic
    “Conhecimento é para todos…compartilhe!!!

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  17. fariaBr

    realmente o texto não está generalizando, nem pegando trainee pra Cristo. Concordamos tambem que existe arrogância e prepotencia em todas as classes sociais e areas profissionais. Mas acredito que a autora do texto se dirige ao Trainee porque eh uma pessoa ainda em formação, uma pessoa que pode ser moldada, lapidada e que, com a ajuda de sua liderança no Programa de Trainee ou ate mesmo antes, pelos professores no curso de graduação, levada a enxergar sua dificuldade e trabalhar para corrigir esse ‘problema’.

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  18. Italo Amaral

    Gostaria apenas de mencionar que certa vez, um colega comentou que um profissional da Cisco Brasil que possuía 3 (três) CCIE’s foi demitido da corporação por motivo de orgulho, e ele queria humilhar os outros profissionais…

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  19. Marcello Ishida

    Olá pessoal.
    Fico feliz em ver que de uma forma ou outra o Blog postado causou uma certa polêmica… 🙂

    Uma coisa que gostaria de esclarecer é que não fui o autor da matéria… antes de alguns queiram me matar… rs rs

    Brincadeiras a parte… conforme muitos colegas do blog ja mencionaram com certeza eu não acredito que possamos caracterizar genericamente todos os iniciantes na área desta forma, porém, é fato que os tais ‘ovelhas negras’, ‘maçãs podres’, ‘aqueles que se acham a última bolacha do pacote’, existem SIM. Eu mesmo ja presenciei muitos casos e na minha humilde opinião usando o português claro e direto acredito que profissinais assim se ‘queimam’ muito facilmente… em outras palavras, não é preciso fazer absolutamente nada para que isso aconteça… é só uma questão de tempo…..
    Fazendo um paralelo, não posso deixar de mencionar aquilo que eu sempre ouvi da minha mãe e acredito que muitos de vocês também: ‘mentira tem perna curta….’ a comparação que fiz realmente podem classificar como ridícula, mas se vocês olharem com outro foco vão perceber que é só transpor as palavras para o ‘nosso mundo’ profissional onde todo mundo conhece todo mundo …

    Grde [] a todos !! Obrigado pelos elogios sobre o blog.
    Ishida.

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  20. Marcia Guimaraes

    Olá…

    Estava, com se diz em bom baianês, “para descer a madeira” nesses trainees (rs). Massss, diante do corre-corre de um dia normal de uma brasileira típica, abstive-me.
    A única colocação que tenho a fazer é :
    Se você pensa SINCERAMENTE que o mundo começou no dia em que você nasceu, refaça seus conceitos. E repense sua vida.
    A vida é muito mais que o nosso pequeno e medíocre mundinho, muito… mas muito mais mesmo.

    E pode chegar o dia em que você se depara com uma situação ou fato totalmente fora do seu mundinho controlado, e ai ?! E ai, meu amigo e minha amiga, você se perde.

    Li uma crônica de Carlos Heitor Cony falando sobre o dia em que visitou a uma das torres do WTC. Ele, magistralmente, narrou que o clima nas empresas que visitou era de total indeferença diante do ser humano, beirando a frieza patológica. Ele disse em sua crônica que a frieza era típica de um adoslescente que tinha ganho o seu 1o. milhão de dólares e não estava preparado para tal. Algumas dessas empresas decidiam o que países inteiros teriam que pagar de juros da dívida externa. E o adolescente cheio de confiança e certeza no que estava fazendo, não mede esforços em massacrar mais ainda essas nações. Uma delas é o Brasil.

    Bem, tive alguns relatos verídicos de pessoas amigas que estavam lá no 11/9, e acreditem :

    OS MAIS ARROGANTES E INFLEXÍVEIS NÃO FORAM POUPADOS.

    Adoro tecnologia, mas não admito que essa mesma tecnologia sobreponha a vontade humana.

    Trainees que se acham… são arrogantes e inflexíveis.

    É isso.

    Sds.
    Márcia Guimarães

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  21. Marcos Pitanga

    Rafael, existe uma enorme diferença entre instrutor de curso de extensão e professor de carreira.

    Seu colega era um instrutor não professor.

    []´s

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  22. Rodrigo Colen (BH)

    Amigos,

    Acredito que na realidade tudo isso esta ligado a criação, moral, costumes, educação etc…

    E nada tem a ver com se o cara é trainee, analista jr, analista sr, analista pl etc…

    Conheço gerentes de grandes empresas, até mesmo diretores que são otimas pessoas, e conheço estagiarios que até tem baixa estima, por causa da forma como são tratados no trabalho etc…

    Mas clarooo, conheço varios (ESTUDANTES), prepotentes que com certeza vão se tornar “profissionais” prepotentes, então só isso não acho que devemos categorizar, e sim avaliar na perspectiva ser HUMANO.

    Att
    Rodrigo Colen

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