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maio 31 2008

Carreira em TI: Ser chefe, ou ser um especialista??

Nós, da área de TI (que engloba Redes e Telecom), muitas vezes já paramos para nos perguntar o que faremos de nossa carreira, um um futuro não muito distante. E aí aparece a pergunta: “Será que serei promovido a chefe? Ou será que ficarei na área técnica para sempre?”.  E é exatamente neste ponto que surge o dilema: Para atingir os níveis superiores, em nossa carreira, será que é mesmo necessário assumir uma função gerencial??

A resposta é NÃO! Sei que muitos aqui já ouvira falar de “carreiras em Y”. Carreiras em Y são assim chamadas exatamente porque são distintas das carreiras verticais, um modelo mais comum – e mais tradicional. Nas carreiras verticais (que poderiam ser chamadas de “Carreiras em I”), você começa como estagiário, por exemplo, e vai galgando posições até aingir o nível máximo – Presidente, por exemplo.  O bom e velho modelo piramidal, onde a base possui a maioria dos funcionários e, o topo, uma minoria composta pela alta gerência.

carreira_em_y.gif

Nas carreiras em Y, você não precisa necessariamente vislumbrar um cargo gerencial como modo de progredir profissionalmente. A base da estrutura é um lugar comum – todos começam como estagiário, por exemplo. Porém, em um dado momento, o profissional decide se quer seguir uma carreira mais gerencial – ser chefe, por exemplo – ou , se quer evoluir como técnico, ou como especialista. Por incrível que pareça, atualmente existem especialistas que ganham MUITO mais que gerentes e, em alguns casos, chegam a ter um maior status dentro da empresa. Qual carreira seguir? Chefe ou especialista? Depende do seu perfil. Se você acredita ter um perfil de liderança, ser chefe pode ser para você. Se você é um amante da área técnica, e não vê isso mudando no longo prazo, uma carreira técnica talvez seja mais interessante.

E qual o topo? Em carreiras em Y, o topo não é algo muito claro. O que é claro é que, uma pessoa extremamente técnica dificilmente será capaz de alcançar posições que demandem conhecimentos em outras áreas, como financeiro, marketing, comercial ou administrativo. Isso não significa que um profissional técnico não possa vir a ser Presidente de uma empresa. Ele apenas terá que incorporar conhecimentos mais específicos em sua bagagem intelectual.

O topo, para um profissional técnico, pode ser uma posição “Senior” qualquer, como analista, engenheiro, consultor ou tantas outras. Mais uma vez, em termos de retorno financeiro, um engenheiro sênior pode ter uma compensação maior que um gerente ou mesmo um diretor, dependendo do caso.

Cito, à seguir, um artigo muito interessante que encontrei sobre o tema, de autoria de Vladimir Maleh – autor dos livros “Colegas de trabalho: parceiros ou inimigos?” e “Empresários e funcionários: Enfim, parceiros!”. Espero que gostem. Eu gostei 😉

Um abs!

Marco.

Um engano que normalmente se comete, ou se é induzido a cometer, é imaginar que a promoção na carreira é assumir função de chefia. Que o topo de uma carreira está na função gerencial. Promoção é um termo inadequado quando alguém sai de uma função de executor para uma de lider. Na realidade, está mudando de carreira. Ela não é superior e nem inferior: é uma outra carreira, com outros conhecimentos e outras atividades. Como são carreiras distintas, não há transposição automática a partir de um determinado nível de conhecimento técnico, apesar da carreira gerencial também exigir um conhecimento técnico mínimo para interagir com os liderados e às vezes com o mercado.

As carreiras, técnica e gerencial, assim como as especializações, requerem perfis ou talentos diferentes dos profissionais. Alguns têm aptidão para ciências exatas e outros para humanas ou biológicas. Alguns têm facilidade para a eletrônica e outros para a mecânica, medicina ou astronomia. E entre eles alguns têm mais facilidade para a função técnica e outros para a gerencial. O segredo que permite chegar ao topo está em reconhecer e respeitar estas vocações. Antes de tudo, busca-se ser feliz.

Assim, a transferência para a carreira gerencial não pode ser uma recompensa pelo desempenho na função técnica. Deve ser a descoberta de um talento para um outro tipo de contribuição que o profissional poderá trazer, nesta nova função. Não é pré-requisito que ele seja o mais bem preparado tecnicamente entre os demais. E é bem provável que na carreira técnica o seu futuro não será tão brilhante.

Se esta for a razão, corre-se o risco de se perder a contribuição de um excelente técnico e não se obter a contribuição de um líder. Existe a possibilidade real de ocorrer a inadaptação à função gerencial, com prejuízos para ambos e frustração maior para o profissional.

A função técnica significa não chefiar pessoas. Pode ser um operador de máquina, um técnico de qualquer especialização, um professor, um pesquisador ou mesmo um assessor da Presidência. Pode ser um cientista ou um excelente vendedor. É um especialista em um determinado assunto e com um vasto campo para o seu crescimento. A evolução nesta carreira ou promoção é de “nível técnico 1” para “nível técnico 2” e assim por diante até a função de “técnico altamente especializado” ou consultor, se tudo der certo.

Mas para chegar ao topo, além da vocação e escolha certa da especialização, é indispensável um esforço contínuo para a atualização das competências, já que a tecnologia, de tempos em tempos, muda radicalmente. Sem este grande esforço, que demanda tempo e às vezes sacrificio de alguns outros prazeres, o reconhecimento não vem e a carreira não deslancha. Nestes casos predomina a atitude.

O aumento da abrangência e/ou da profundidade do conhecimento é que determina a passagem de um nível para outro e caracteriza a “promoção”. A remuneração pode ser maior, igual ou menor que a dos supervisores ou gerentes. O mercado (concorrência) é que regula a remuneração de cada grau e tipo de especialização.

Na área gerencial a evolução da carreira ou promoção é de supervisão para gerencia, depois para direção e para alguns poucos até à presidência, principalmente em função da abrangência do conhecimento (visão do mercado e planejamento e administração dos processos produtivos). E nas empresas em que se busca a sustentabilidade, chefiar não é mais mandar fazer e cobrar. Significa liderar as pessoas. E a atitude eficaz é a de um líder servidor. E para isto é preciso ter uma vocação específica. E é o mercado também que determina a remuneração para cada nível de chefia.

A solução é incentivar e ajudar o profissional na busca do autoconhecimento, para que ele chegue a uma conclusão do que realmente lhe traz satisfação, em qual especialização e em qual função, e onde fluirá todo o seu potencial, que é o que a empresa precisa: a contribuição máxima. É ajudá-lo a se encontrar.

É possível ser feliz liderando ou sendo liderado.

Quando o profissional faz esta escolha consciente, consegue concentrar-se na gestão da sua carreira rumo ao topo da sua pirâmide.

Então o caminho é a equalização das expectativas da empresa e do contratado (planos de carreira) de forma totalmente realista e transparente. Todos conscientes e a princípio satisfeitos com as perspectivas de crescimento, tanto na função técnica quanto na gerencial, porque foram eles mesmos que fizeram a opção após o autoconhecimento e o conhecimento das expectativas mútuas.

E pessoas certas, nas funções certas e satisfeitas por estarem na empresa certa é o mínimo para a obtenção da rentabilidade e sustentabilidade do empreendimento, porque o comprometimento com os resultados é uma consequência.



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13 comentários

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  1. Rodrigo Farias

    Excelente tópico.

    Isso confirmou o que eu já tinha uma idéia.

    Nada melhor do que quem já tem experiência né?

    Obrigado pelo texto. Muito esclarecedor pra mim.

    Abraço

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  2. Makal

    Mesmo sendo novo, já havia pensado nisso. Nunca fui um líder, ou alguém que pudesse motivar o pessoal, na verdade sou meio falho nessa parte, mas sempre fui muito interessado na área técnica. Sempre gostei de tecnologias novas, botar a mão na massa mesmo e ver o negócio funcionando. Muito bom saber que temos essa opção, e que as vezes, é até melhor do quê ser um gerente ;D

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  3. Fabio Silva

    Eu ainda naum sei que rumo tomar para o futuro, apenas acho que o tecnico naum eh valorizado igual um gerente por exemplo. Eh mais facil vc ver um “tiozinho” como gerente do que como tecnico. Para os jovens ele eh ultrapassado demais e no Brasil Infelizmente a maioria das empresas nam dão valor para pessoas experientes.
    Escolhi minha carreira de acordo com as espectativas do Pais e acho que HOJE h melhor ser gerente que tecnico.
    Ser chefe ou especialista você aprende com o tempo e eu acredito que devemos sempre dominar os dois lados. Eh assim que caminha a humanidade!

    Abs

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  4. Melhor impossível, Marco…parabéns, execelente post.
    Para mim foi muito esclarecedor, até estava pensando em seguir para área de Gestão, apesar de amar a área técnica e ver a coisa funcionando, como disse nosso amigo Makal.
    Agora, vou me empenhar ainda mais na área técnica, até mesmo pq não tenho o perfil para um cargo de liderança.

    Abraços.
    Érik

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  5. Toguko

    Me supreendeu com este tópico, ótimo assunto…

    Abraços, Rafael Venancio *Toguko*

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  6. Rodrigo Falcão

    Parece que coisas muito antigas, que já ouço falar a tempos, continuam valendo, até mesmo no nosso cenário super-competitivo: GOSTAR DO QUE FAZ, seja o que for, (isso já é consequência de ter feito uma escolha), e consequêntemente fazê-lo muito bem, o resto é consequência, pois quando há o prazer aliado á profissão, há a dedicação, e quando há dedicação, há empenho, e tudo mais que é necessário.

    Independente se nós seremos chefes ou especialistas(veja que isso já foi uma opção feita lá atrás, mas muitas vezes nem nos demos conta disso), desempenharemos nosso papel de uma forma competente e completa.

    Abçs!

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  7. Minu

    Ótimo assunto, esta é uma dúvida que surge com muita facilidade, principalmente aos iniciantes.

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  8. rafa.mendes

    Bom dia,

    Essa é uma duvida que me surgiu a alguns meses.
    Bom, eu tenho 20 anos, estou no 5º Semestre de ciência da computação, e possuo certificação CCNA e MCP.
    Estou meio confuso em relação a pós graduação, gerenciamento ou técnica, a tecnica seria algo voltado para segurança, e a de gerenciamento governança de T.I.
    Otimo texto, deu uma boa clareada na minha mente…
    A proposito, nao consigo visualizar o link do artigo.

    Gente me add ai no msn, amigos são sepre bem vindos : rflwar_cs1@hotmail.com

    Abs

    Rafael

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  9. Marcelo

    Marco, muito interessante o artigo.
    Como todos, sempre tive essa dúvida também… e na verdade nunca cheguei a tomar uma decisão concreta… deixei o tempo passar e fui vendo que a área técnica, por enquanto, é o que me cai melhor. E olha que eu tenho interesse em liderança, gosto do assunto, leio bastante…. por exemplo tenho maior interesse em estudar PMP… mas é uma coisa assim, complementar… o foco continua sendo a área técnica.
    Eu estou tentando encontrar um meio termo pra caminhar com as 2 carreiras juntas… vou levando a técnica em primeiro lugar e tentando aprimorar a gerencial para quem sabe utilizá-la no futuro.

    Vlw galera!

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  10. Fabio Luiz Pagoti

    Realmente muito bom o tópico.

    Não sei em qual perfil me encaixo.. acho que só dá para ter certeza depois de vivenciar os dois.. como ainda não vivenciei nenhum (na área de redes), “deixo a vida me levar”. E acho bastante pertinente o que o Marcelo disse. Acho que independentemente da escolha tomada, deve-se ter um conhecimento em ambos assuntos (não com a mesma intensidade é claro) se almejar um cargo requisitado.

    Fábio Pagoti

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  11. Marcos Pitanga

    Bem sou Tiozinho … 39 anos, mas como atuei como pesquisador e tenho um forte marketing pessoal e com capacidade de “persuadir” um cliente tanto no aspecto de business quanto no aspecto técnico, consigo atuar como pós-vendas, pré-vendas e gerente de negócios. Com isso, sempre entra mais uma merreca na conta.

    😉

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  12. Eder.brz

    Aqui na IBM um técnico pode atingir o nível salarial de um executivo, dando seus “pitacos” técnicos aos diretores e direcionando os rumos estratégicos da empresa, sem perder o hands on nos equipamentos. Mas digamos que não há muitos desses por aí…

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  13. anarco2002

    Excelente artigo!
    No entanto, há parágrafos que podem gerar conflitos. Exemplos:
    Está de acordo e coerente com o texto anterior a a frase:”As carreiras, técnica e gerencial, assim como as especializações, requerem perfis ou talentos diferentes dos profissionais.”
    Na sequência, vem o articulista coloca:
    “A função técnica significa não chefiar pessoas.” Lamento, mas não entendi esta passagem!!!
    Pergunto: Tem algo pior que um Chefe (de uma equipe técnica) que não conhece a área que vai chefiar!!!! É o fim!!!! É um Exército de Leões comando por um Burro!!!!

    Mas no geral, um excelente artigo!!! Parabéns!!!

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