Tutorial OSPF - Parte 4
Postado por: Marco Filippetti em Tecnologia, Tutoriais, Artigos -
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Seguindo a série de artigos sobre o protocolo OSPF, nesta parte 4 falaremos de multi-area e virtual links.
Espero que gostem
!
OSPF Multi-area
O protocolo OSPF possui algumas restrições quando mais de uma área é configurada. Se apenas uma área existe, esta área é SEMPRE a área 0, chamada de “backbone area”. Quando múltiplas áreas existem, uma destas áreas tem que ser a área 0. Uma das boas práticas ao se desenhar redes com o protocolo OSPF é começar pela área 0 e expandir a rede criando outras áreas (ou segmentando a área 0).
A área 0 deve ser o centro lógico da rede, ou seja, todas as outras áreas devem ter uma conexão física com o backbone (área 0). O motivo disso é que OSPF espera que todas as áreas encaminhem informações de roteamento para o backbone, e este, por sua vez, se encarrega de disseminar estas informações para as outras áreas. O diagrama abaixo ilustra o fluxo de informações em uma rede OSPF.

No diagrama acima, todas as áreas possuem uma conexão direta com o backbone. Em situações raras, nas quais não é possível estabelecer uma conexão direta com a área 0, um link virtual (virtual link) deve ser estabelecido. O link virtual OSPF é como uma “VPN” que integra uma área que não tem como se conectar diretamente ao backbone, através de uma área diretamente conectada a ele. É importante ressaltar que o artifício de “virtual links” é paliativo, ou seja, ele resolve um erro de design, e deve ser encarado como uma solução temporária.
Seguindo o diagrama, observem os diferentes tipos de informações que são trafegadas. Informações sobre rotas que são geradas e utilizadas dentro de uma mesma área são chamadas de “intra-area routes”, e são precedidas pela letra “O” na tabela de roteamento. Rotas que são originadas em outras áreas são chamadas de “inter-area routes”, ou “summary-routes”. Estas são precedidas por “O IA”, na tabela de roteamento. Rotas originadas por outros protocolos de roteamento e redistribuídas em uma rede OSPF são conhecidas por “external-routes”. Estas são precedidas pelas letras “O E1″ ou “O E2″, na tabela de roteamento. Quando temos múltiplas rotas para um mesmo destino, o critério de desempate em uma rede OSPF obedece a seguinte ordem: intra-area, inter-area, external E1, external E2. Falarei das 2 últimas (E1 e E2) mais adiante.
Virtual Links
Como já foi mencionado, links virtuais são artifícios utilizados para conectar áreas discontíguas ao backbone. A figura abaixo ilustra um exemplo.

No exemplo acima, a área 1 não tem conexão direta com o backbone (area 0). Um link virtual foi então estabelecido para criar uma conexão virtua entre as áreas 1 e 0, através da área 2. A configuração de um link virtual é relativamente simples, e é ilustrada abaixo:
RTA(config)#router ospf 10
RTA(config-router)#area 2 virtual-link 2.2.2.2
RTB(config)#router ospf 10
RTB(config-router)#area 2 virtual-link 1.1.1.1
Considere que 2.2.2.2 e 1.1.1.1 sejam os endereços IP de interfaces loopback configuradas nos routers RTA e RTB, respectivamente. Lembrando que, em uma rede OSPF, endereços IP em loopbacks são preferidos para a definição do RID (router ID).
Um outro uso para links virtuais em uma rede OSPF é conectar 2 backbones discontíguos, como ilustra a figura abaixo.

A situação acima pode ocorrer, por exemplo, no processo de integração de redes entre 2 empresas que acabaram se fundindo, por exemplo. No exemplo, duas áreas 0 (backbones) são interligados por meio de um link virtual.
Na próxima parte deste tutorial (parte 5), falaremos sobre Neighbors e Adjacências. Aguardem!
Um abraço!
Marco Filippetti
Leia também:
- Tutorial OSPF - Parte 6
- Tutorial OSPF - Parte 5
- Tutorial OSPF - Parte 3
- Tutorial OSPF - Parte 2
- Tutorial IS-IS parte I
- Tutorial básico - ACLs para o exame CCNA
- Tutorial OSPF - Parte 1
- Resumo (Tutorial) sobre ISDN
- Tutorial VLSM (Variable Lenght Subnet Masks)
- Dynagen - Tutorial básico
- Tutorial Dynagen - Interconectando routers virtuais à routers reais
- Tutorial VPCS + Dynagen
- Tutorial Frame Relay
- Tutorial VTP
- Tutorial MPLS

Posts
22 de June de 2008 às 9:18 pm
Ótima didática e muito bem explicado.
22 de June de 2008 às 10:01 pm
Marco qual seria o maior problema dos Virtual Links ?
Abraços, Rafael Venancio
22 de June de 2008 às 10:35 pm
Grande post Marco, vou deixar aqui também duas dicas nao só usadas em exames como em integraçao na vida real. Primeiro vale lembrar que o virtual-link é estabelecido sempre contra um router-id (o mesmo é escolhido de forma automática pela IP de loopback mais alta), entao é sempre bom configurar de forma manual os router-id, sao o que os gringos chamam de “hard code the router-id” que nao é nada mais nada mesmo que dentro do dominio do ospf colocar o comando, por exemplo:
interface loopback 0
ip address 1.1.1.1 255.255.255.0
router ospf 1
router-id 1.1.1.1
Nesta caso voce esta a salvo que se em um futuro voce se ve obrigado a configurar um outro loopback por exemplo, interface loopback 1
ip address 192.168.1.1 255.255.255.0 (neste caso o router-id do ospf nao mudará de 1.1.1.1).
Outra dica é que virtual links nao funcionam se devem passar por um NSSA (Not-so-Stubby-Area), entao neste caso se voce precisa conectar duas áreas onde a área de transito é um NSSA pois a soluçao seria criando tunnels GRE entre os dois routers, já que o tunnel gre iria ver a outra ponta como diretamente conectada e funcionaria a conexao de áreas.
A última dica é que virtual link só funciona se voce possui um custo menor que 65535 na interface, imagina que se por alguma razao o comando “ip ospf auto-cost reference-bandwidth” é mudado dentro da área do ospf para algo que faça que o custo de um virtual seja maior que 65535, o Virtual-Link sempre estaria Down.
Bem acho que é tudo por enquanto.. Abs
22 de June de 2008 às 10:39 pm
Graaaaande Anderson! Seus comments são sempre bem-vindos!
Abs do Brasil
22 de June de 2008 às 10:49 pm
Toguko, a utilização dos VL vai contra a arquitetura básica do OSPF, que é a criação de áreas adicionais margeando a área 0. O Anderson, acima, citou alguns problemas / limitações que podem ocorrer.
Abs!
22 de June de 2008 às 11:26 pm
Gostei muito do tutorial, pequeno texto, mas ensina muito!
E muito obrigado pelas dicas posteriores Anderson!
Abraço
22 de June de 2008 às 11:47 pm
Valeu, obrigado pelas dicas.
Abraços
23 de June de 2008 às 9:59 am
Parabéns Marco pelo post! E Anderson pelo comentário!
Excelente!
[]’s
23 de June de 2008 às 2:54 pm
Show de bola Marco, tô só guardando esse material para fazer um overview e dar um gás no BSCI ano que vem…e por falar nisso, vc vai se aprofundar mais em OSPF, em nível mesmo de CCNP?
Abçs!!
23 de June de 2008 às 6:36 pm
Parabens pelo post!
Sao de grande interesse para quem esta estudando pro CCNP.
8 de September de 2008 às 9:54 pm
ok