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jun 22 2008

Tutorial OSPF – Parte 4

Seguindo a série de artigos sobre o protocolo OSPF, nesta parte 4 falaremos de multi-area e virtual links.

Espero que gostem 😉 !

OSPF Multi-area

O protocolo OSPF possui algumas restrições quando mais de uma área é configurada. Se apenas uma área existe, esta área é SEMPRE a área 0, chamada de “backbone area”. Quando múltiplas áreas existem, uma destas áreas tem que ser a área 0. Uma das boas práticas ao se desenhar redes com o protocolo OSPF é começar pela área 0 e expandir a rede criando outras áreas (ou segmentando a área 0).

A área 0 deve ser o centro lógico da rede, ou seja, todas as outras áreas devem ter uma conexão física com o backbone (área 0). O motivo disso é que OSPF espera que todas as áreas encaminhem informações de roteamento para o backbone, e este, por sua vez, se encarrega de disseminar estas informações para as outras áreas. O diagrama abaixo ilustra o fluxo de informações em uma rede OSPF.

ospf1.jpg

No diagrama acima, todas as áreas possuem uma conexão direta com o backbone. Em situações raras, nas quais não é possível estabelecer uma conexão direta com a área 0, um link virtual (virtual link) deve ser estabelecido. O link virtual OSPF é como uma “VPN” que integra uma área que não tem como se conectar diretamente ao backbone, através de uma área diretamente conectada a ele. É importante ressaltar que o artifício de “virtual links” é paliativo, ou seja, ele resolve um erro de design, e deve ser encarado como uma solução temporária.

Seguindo o diagrama, observem os diferentes tipos de informações que são trafegadas. Informações sobre rotas que são geradas e utilizadas dentro de uma mesma área são chamadas de “intra-area routes”, e são precedidas pela letra “O” na tabela de roteamento. Rotas que são originadas em outras áreas são chamadas de “inter-area routes”, ou “summary-routes”. Estas são precedidas por “O IA”, na tabela de roteamento. Rotas originadas por outros protocolos de roteamento e redistribuídas em uma rede OSPF são conhecidas por “external-routes”. Estas são precedidas pelas letras “O E1” ou “O E2”, na tabela de roteamento. Quando temos múltiplas rotas para um mesmo destino, o critério de desempate em uma rede OSPF obedece a seguinte ordem: intra-area, inter-area, external E1, external E2. Falarei das 2 últimas (E1 e E2) mais adiante.

Virtual Links

Como já foi mencionado, links virtuais são artifícios utilizados para conectar áreas discontíguas ao backbone. A figura abaixo ilustra um exemplo.

ospf2.jpg

No exemplo acima, a área 1 não tem conexão direta com o backbone (area 0). Um link virtual foi então estabelecido para criar uma conexão virtua entre as áreas 1 e 0, através da área 2. A configuração de um link virtual é relativamente simples, e é ilustrada abaixo:

RTA(config)#router ospf 10
RTA(config-router)#area 2 virtual-link 2.2.2.2

RTB(config)#router ospf 10
RTB(config-router)#area 2 virtual-link 1.1.1.1

Considere que 2.2.2.2 e 1.1.1.1 sejam os endereços IP de interfaces loopback configuradas nos routers RTA e RTB, respectivamente. Lembrando que, em uma rede OSPF, endereços IP em loopbacks são preferidos para a definição do RID (router ID).

Um outro uso para links virtuais em uma rede OSPF é conectar 2 backbones discontíguos, como ilustra a figura abaixo.

ospf3.jpg

A situação acima pode ocorrer, por exemplo, no processo de integração de redes entre 2 empresas que acabaram se fundindo, por exemplo. No exemplo, duas áreas 0 (backbones) são interligados por meio de um link virtual.

Na próxima parte deste tutorial (parte 5), falaremos sobre Neighbors e Adjacências. Aguardem!

Um abraço!

Marco Filippetti



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11 comentários

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  1. rodolphotdai

    Ótima didática e muito bem explicado.

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  2. Toguko

    Marco qual seria o maior problema dos Virtual Links ?

    Abraços, Rafael Venancio

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  3. Anderson Mota Alves

    Grande post Marco, vou deixar aqui também duas dicas nao só usadas em exames como em integraçao na vida real. Primeiro vale lembrar que o virtual-link é estabelecido sempre contra um router-id (o mesmo é escolhido de forma automática pela IP de loopback mais alta), entao é sempre bom configurar de forma manual os router-id, sao o que os gringos chamam de “hard code the router-id” que nao é nada mais nada mesmo que dentro do dominio do ospf colocar o comando, por exemplo:

    interface loopback 0
    ip address 1.1.1.1 255.255.255.0

    router ospf 1
    router-id 1.1.1.1

    Nesta caso voce esta a salvo que se em um futuro voce se ve obrigado a configurar um outro loopback por exemplo, interface loopback 1
    ip address 192.168.1.1 255.255.255.0 (neste caso o router-id do ospf nao mudará de 1.1.1.1).

    Outra dica é que virtual links nao funcionam se devem passar por um NSSA (Not-so-Stubby-Area), entao neste caso se voce precisa conectar duas áreas onde a área de transito é um NSSA pois a soluçao seria criando tunnels GRE entre os dois routers, já que o tunnel gre iria ver a outra ponta como diretamente conectada e funcionaria a conexao de áreas.

    A última dica é que virtual link só funciona se voce possui um custo menor que 65535 na interface, imagina que se por alguma razao o comando “ip ospf auto-cost reference-bandwidth” é mudado dentro da área do ospf para algo que faça que o custo de um virtual seja maior que 65535, o Virtual-Link sempre estaria Down.

    Bem acho que é tudo por enquanto.. Abs

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  4. Marco Filippetti

    Graaaaande Anderson! Seus comments são sempre bem-vindos!

    Abs do Brasil 😉

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  5. Marco Filippetti

    Toguko, a utilização dos VL vai contra a arquitetura básica do OSPF, que é a criação de áreas adicionais margeando a área 0. O Anderson, acima, citou alguns problemas / limitações que podem ocorrer.

    Abs!

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  6. Rodrigo Farias

    Gostei muito do tutorial, pequeno texto, mas ensina muito!

    E muito obrigado pelas dicas posteriores Anderson!

    Abraço

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  7. Toguko

    Valeu, obrigado pelas dicas.

    Abraços

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  8. Alexander Willians

    Parabéns Marco pelo post! E Anderson pelo comentário!

    Excelente!

    []’s

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  9. Rodrigo Falcão

    Show de bola Marco, tô só guardando esse material para fazer um overview e dar um gás no BSCI ano que vem…e por falar nisso, vc vai se aprofundar mais em OSPF, em nível mesmo de CCNP?

    Abçs!!

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  10. Fabio Silva

    Parabens pelo post!
    Sao de grande interesse para quem esta estudando pro CCNP.

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  11. Rafael Junior

    ok

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