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out 23 2008

O profissional de TI do futuro

Dica passada pela Miriam Vasco, da SUCESU. Achei muito interessante! Talvez vocês também achem. Já falamos de carreiras em Y em outro post, apenas lembrando… .

Um abraço!

Marco.

Especialista em carreira fala porque um técnico deve ganhar tanto quanto um gerente e como a geração Y será o terror das áreas de recursos humanos.

Por Fábio Barros, do COMPUTERWORLD

02 de outubro de 2008 – 07h00

O especialista em carreira, Max Gehringer, em entrevista exclusiva ao COMPUTERWORLD, analisa as mudanças ocorridas com a evolução da tecnologia e traça o perfil dos profissionais do futuro. Como isso deve afetar a vida das empresas e, claro, dos gestores de recursos humanos? Confira!

COMPUTERWORLD Como você avalia a presença cada vez maior da tecnologia no ambiente de trabalho? Quais são os impactos no dia-a-dia dos profissionais?

MAX GEHRINGERNo Brasil, essa mudança começou de fato há 15 anos. A década de 80, que conseguiu combinar inflação alta e demanda baixa, fez com que as empresas tivessem que enxugar seus quadros, eliminando funções e concentrando nas mãos de um empregado tarefas que antes eram executadas por dois ou três.

No início dos anos 90, a revogação da famigerada Lei da Informática, que atrasou o Brasil 10 anos, permitiu que as empresas se aparelhassem melhor. Nos escritórios, o PC substituiu, ao mesmo tempo, a máquina de escrever e a calculadora. E o chão de fábrica passou a ter equipamentos tecnologicamente atualizados, gerando mais produtividade.

As duas últimas mudanças foram a internet, que possibilitou a interatividade interna e externa, e o celular, que colocou os funcionários 24 horas à disposição da empresa. O resultado foi que o trabalho braçal deu lugar ao uso do software. O “fechamento do mês”, um esforço que envolvia uma dúzia de pessoas e demorava uma semana, hoje é uma tarefa simples, porque as transações vão sendo feitas on-line.

Na Copa de 1970, um jogador com excelente preparo físico corria 3 quilômetros por jogo. Na última Copa da UEFA, a média estava em 12 quilômetros. Nas empresas, a aceleração da produtividade foi a mesma, só que movida pelas facilidades da tecnologia. Não por acaso, a única área que deverá ter déficit de técnicos pelos próximos anos é a de Informática.

CW – Este novo ambiente exigiu mudanças dos gestores de recursos humanos? Quais seriam?

MG – Uma das conseqüências de todas essas mudanças foi a auto-gestão da carreira. O empregado que delegava seu desenvolvimento à empresa e raramente considerava a hipótese de mudar de emprego deixou de existir. Ele deu lugar a um profissional mais ansioso, menos disposto a esperar que as coisas aconteçam naturalmente. Eu fico cada vez menos espantado quando recebo mensagens de estagiários dizendo “estou aqui na empresa há dois meses e ainda não me aconteceu nada”.

As áreas de RH sabem que o turnover alto representa não apenas custos extras, mas também a perda de bons profissionais, que não hesitam em ter três empregos em três anos se isso puder turbinar suas carreiras. Quando RH falava em atrair e reter talentos, essa segunda parte era subentendida como ‘médio e longo prazo’. Agora, passou a ser curto prazo.

É preciso manter o empregado motivado, focado, satisfeito e bem informado. Caso contrário, ele procura outras opções. Setores que, por sua própria natureza, oferecem poucas oportunidades internas, como o de telemarketing, têm um turnover de mais de 100% ao ano. O tempo médio de permanência é de 10 meses. Ou seja, acabou o medo de mudar de emprego.

CW – Neste contexto, qual seria o perfil do profissional do futuro? Quais características perdem valor e quais passam a ser fundamentais para o sucesso profissional?

MG – Um erro que muitos jovens estão cometendo é o de imaginar que, quanto mais diplomas tiverem, maiores serão as oportunidades. Por isso, estudam até os 25 ou 26 anos, fazem pós, MBA, e intercâmbio para aprender inglês.

E aí, quando começam a procurar emprego, descobrem que as portas estão fechadas. O maior índice de desemprego está nessa faixa, dos 18 aos 25 anos, e afeta jovens com curso superior. Por outro lado, o mercado tem vagas para técnicos, mas não consegue encontrá-los em quantidade suficiente.

O profissional do futuro será, antes de tudo, um bom técnico. Alguém que começou a trabalhar cedo, aprendeu os macetes na prática e depois se decidiu pelo curso superior mais indicado. Aos 25 anos, ele estará pronto para assumir uma função gerencial. O que também pesa muito, e pesará cada vez mais, é a atualização constante. Quem não fez nenhum curso nos últimos cinco anos está correndo risco de obsolescência profissional.

Outro fator que ganha cada vez mais importância é o networking. Muita gente ainda o vê como algo negativo, mas conseguir um emprego apenas por meio do envio de currículos está se tornando uma possibilidade remota. Em algumas áreas, como Direito e Jornalismo, o networking já responde por quase 100% das vagas preenchidas. Portanto, estudar é bom, aperfeiçoar-se é ótimo, mas é indispensável conhecer pessoas que possam fazer indicações.

CW – A necessidade de técnicos deve dar força ao conceito de evolução profissional em Y?

MG – Em teoria, ter um excelente técnico, sem nenhum subordinado, que ganhe mais do que um gerente com 20 subordinados é algo que faz todo sentido, porque está mais difícil para as empresas contratar e manter o técnico. Mas essa situação precisa ser muito bem explicada pela área de recursos humanos.

Não basta soltar uma comunicação interna dizendo que será assim. É uma situação que afeta o lado psicológico dos que acham que deveriam ganhar mais apenas com base no número de subordinados diretos. Essa dificuldade para implantar o sistema Y, aliada à possibilidade de redução de custos, gerou o PJ, o profissional autônomo. É uma categoria que vem se multiplicando em ritmo de coelho no século XXI.

CW – Como as empresas devem se preparar para tirar o melhor deste novo perfil de profissional?

MG – Oferecendo instrumentos para contrabalançar a pressão por resultados imediatos. Um bom ambiente de trabalho, uma comunicação transparente, oportunidades de fazer cursos de aperfeiçoamento e o reconhecimento dos méritos individuais através de premiações. Evidentemente, ainda existem chefes cujas cabeças estão no século XX e o choque com a geração dos jovens apressados e ambiciosos acaba sendo inevitável.

E a corda está arrebentando do lado que antes era o mais forte, o dos chefes. No ano de 2006, 60% dos executivos que perderam o emprego não esperavam perdê-lo. Desses, 75% tinham mais de 10 anos de casa.

CW – A chegada da geração Y ao mercado de trabalho é outro fator que deve ser considerado. O que esta geração traz de novo ao ambiente corporativo?

MG – Os homens da geração Y são os primeiros a conseguir fazer o que as mulheres vêm fazendo desde a geração sempre: várias coisas simultaneamente e sem perder o foco.

Mas os profissionais dessa geração que optam pela tecnologia da informação têm uma característica especial, que já se nota atualmente: para eles, o trabalho executado é mais importante que a empresa que está pagando pela sua execução. Por natureza, são profissionais que apreciam a autonomia, mesmo que estejam ligados a uma empresa. Em suma, eles são o terror das áreas de recursos humanos.



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10 comentários

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  1. Minu

    Com meus 20 anos, este texto resumiu o que penso..
    Agora, a pergunta é: Onde acharei empresas que pensem assim? que pensem como a última questão levantada do artigo?

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  2. David Alvarenga

    Issu ai Marco, massa mesmo.. eu ate ja tinha lido essa materia no computerworld…..

    sobre tecnicos, esta faltando mesmo no mercado, em muitos ramos…. na Quimica valorizam mais para uma oportunidades.. tecnicos do q Quimicos mesmo….. pois os tecnicos sao os ‘peões de obra” q fazem o serviço q as empresas qrem… e de fato podem crescer nas empresas….

    flw

    abs

    David

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  3. Richard

    É complicado,

    Varia muito de empresa para empresa. Tem gestor de RH que está alguns anos antes de Cristo, porque o que mais se vê são vagas para técnicos, porém oferecem muito pouco ao funcionário e exigem muito.

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  4. Fernando Avelino

    Quem é da área de RH ouve falar da Geração Y desde o começo deste século, no começo sempre diziam ser apenas bobagem, hoje cada vez mais está se tornando realidade.

    Ja faz muito anos que um bom técnico está ganhando mais que gerente, que é um cargo que os salários tem despencado cada vez mais, em 2002 era comum ver cargos de gerentes em nível nacional ganhando por volta de seus 20k, até o final de 2006, que foi quando saí da área, essas vagas estavam cada vez mais escassas, nessa época eu trabalhei na área de Outplacement e era dificil fechar vagas, pois muita gente que estava acostumada ganhar mais de 10k teve que aceitar oportunidades pra ganhar metade disso se quisesse continuar vivo no mercado.
    Enquanto cansei de ver headhunters desesperados pois necessitavam contratar bons técnicos e não achavam, uma amiga dizia que dava até frio na barriga quando chegava uma vaga dessas.
    Excelente post Marco! valeu!

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  5. Edson

    Muito bacana!
    Meus 19 anos de estrada ainda tem muito pela frente, e sei que estou caminhando no rumo certo!

    Valeu Marco.

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  6. Érik

    Adorei…obrigado por compartilhar Marco!!!

    Deu até um ânimo a mais quando terminei de ler essa reportagem, pois nunca deixei de acreditar que existe mercado para pessoas como eu, que estão engatinhando na área de network e que foram “iludidas” pela obtenção do CCNA.

    Eu concordo com Minu:” Onde acharei empresas que pensem assim?”…isso, pelo menos para mim tá difícil de encontrar aqui em Curitiba.

    []’s

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  7. jonas

    Caracas….!!

    Eu sou o terror dos RH’s….
    kkkkkkkkkkkk…

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  8. Marcos Pitanga

    “Um erro que muitos jovens estão cometendo é o de imaginar que, quanto mais diplomas tiverem, maiores serão as oportunidades. Por isso, estudam até os 25 ou 26 anos, fazem pós, MBA, e intercâmbio para aprender inglês.

    E aí, quando começam a procurar emprego, descobrem que as portas estão fechadas. O maior índice de desemprego está nessa faixa, dos 18 aos 25 anos, e afeta jovens com curso superior. Por outro lado, o mercado tem vagas para técnicos, mas não consegue encontrá-los em quantidade suficiente.”

    Acho que o Max esquece que a maioria das pessoas trabalham como técnicos de dia, fazem faculdade a noite e precisam ter as certificações pela imposição do mercado.

    Este caso se acopla a quem faz faculdades públicas, onde o aluno estuda em tempo integral e quando terminam a faculdade não conseguem emprego por não possuírem perfil técnico a acabam virando estudantes profissionais, vai para Mestrado, Doutorado, Pós-doc só para manter a bolsa e continuam sendo bancados pelos pais.

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  9. den_dias

    Foi bem legal a iniciativa, mostra que o mercado hoje me dia possui um perfil bem diferente de alguns anos atrás, onde os cargos gerenciais eram mais valorizados que os técnicos e que o diploma de uma faculdade “famosa”, tipo uma federal ou uma estadual tinham um peso muito maior que uma particular menos badalada, mas nem por isso de menor qualidade de ensino.

    Hoje vejo que apenas um diploma de 3o graus passa a nao ser o bastante.

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  10. Jair Tiago

    Boa tarde meu povo…

    Marco, como sempre você e suas pesquisas picantes. Bom texto para aqueles que acham que em só obter uma Certificação já estará empregado, ou ganhando o desejado.

    O mercado não é bem assim, as vagas existem, mas para conseguir é necessário vários requisitos, e um desses é o que MG citou…”Outro fator que ganha cada vez mais importância é o networking. “, galera é muito importante fazer com que essa rede cresça cada dia mais em nossa vida, na escola, faculdade, curso para especialização, no trabalho, etc. Pois são essas pessoas que possivelmente poderão nos indicar para uma vaga, será um colega de classe, um professor, um amigo, um cliente, um fornecedor.

    Simplesmente saiba que o que fazemos serve de vitrine para quem esta ao nosso redor, quer um trabalho na faculdade, quer uma simples prova na Academia Cisco. Já fui referenciado até em uma simples compra em uma loja, onde o cara ao lado estava com uma dúvida e eu me disponibilizei em ajudar, e na hora o cara pegou n. do celualr e me chamou para fazer o serviço da sua empresa, a vendedora observando o que aconteceu também já quiz o n. pois em uma possível necessidade já ligaria para mim.

    E é assim que acontece, não vamos achar porque somos CCNA que as portas irão se escancarar, tudo é com calma e equilíbrio, precisamos apenas de uma oportunidade, oportunidade que deve começar com simples cargos, não é por causa da certificação que temos que comerçar ganhando ± R$ 2000, como já li em muitas discurções. São nas pequenas coisas que conseguimos mostrar o nosso potencial.

    Bom, acho que é isso ai, desculpa os erros, e a forma que penso sobre o assunto, pelo menos é essa realidade que vejo aqui em Recife-PE. Não sou nenhum consultor, entretanto foi e é dessa forma que venho fazendo, e Graças a Deus tem dado certo, e o Senhor tem me abençoado.

    Grande abraço a todos.

    Jair Tiago

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