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mar 23 2009

[P&R] Redistribuição de Rotas – parte 3

Fechamos hoje a terceira e última parte desta série de posts sobre redistribuição de protocolos. Nas duas primeiras partes, abordei o básico sobre este assunto. Nesta última parte, vamos nos aprofundar um pouco mais, analisar alguns exemplos de configuração e algumas técnicas mais avançadas, como filtros e mapas de rotas. Seguindo na linha dos conceitos por trás da redistribuição, é importante conhecermos os 3 tipos básicos de rotas que podemos encontrar em um router: conectada, estática e dinâmica.

Rotas conectadas são aquelas que definem interfaces em um router. Por exemplo, se em um router temos a interface FastEthernet 0/0 configurada com o endereço IP 172.16.10.1 255.255.255.0, a rede 172.16.10.0 /24 encontrar-se-à na tabela de roteamento e constará como diretamente conectada (“C”, de “Connected”). Se eu adicionar, neste mesmo router, uma rota para a rede 10.0.0.0 /8, esta rota aparecerá na tabela como uma rota estática (“S”, de “Static”).

Exemplo de rota estática “padrão”:

   Router(config)#ip route 10.0.0.0 255.0.0.0 172.168.10.2

Agora, se eu disser ao router que esta rede 10.0.0.0 encontra-se acessível via interface F0/0, ainda teremos uma rota estática (identificada por um “S”, na tabela), mas esta rede aparecerá como “Connected”, ou seja, o router irá considerar que ela encontra-se diretamente conectada à interface F0/0.

Exemplo de rota estática “conectada”:

   Router(config)#ip route 10.0.0.0 255.0.0.0 F0/0
   Router#show ip route static
   S 10.0.0.0 is directly connected, FastEthernet0/0

E finalmente, rotas “aprendidas” por protocolos de roteamento são consideradas dinâmicas. Bom, por que isso seria relevante ao nosso assunto? Simples! É importante termos em mente que TODA VEZ que ativamos um protocolo de roteamento, estamos fazendo algum tipo de redistribuição. Por exemplo:

   Router(config)#router rip
   Router(config-router)#network 172.16.0.0

Este comando faz com que o RIP redistribua a subrede 172.16.10.0 /24, pois esta é uma rede diretamente conectada neste router. RIP, IGRP e EIGRP sempre irão redistribuir redes diretamente conectadas que estejam cobertas pelo comando “network”. Este seria, então, um dos primeiros modos de se redistribuir um tipo de rota (conectada), em outra (dinâmica). Outro modo seria utilizar o comando “redistribute connected” dentro do modo de configuração de roteamento:

   Router(config)#router rip
   Router(config-router)#redistribute connected

A vantagem? Ao invés de ter de digitar “network” por “network”, este comando engloba todas as redes diretamente conectadas para você, em apenas uma linha de comando!

Outra redistribuição comum seria a de rotas estáticas:

   Router(config)#router rip
   Router(config-router)#redistribute static metric 10

Este comando faz com que todas as rotas estáticas configuradas neste roteador (e presentes na tabela de roteamento) sejam redistribuídas no protocolo RIP com métrica 10 (10 saltos), e enviadas para todos os routers RIP da rede.

Redistribuir em RIP é relativamente simples, já que suas métricas são simples (na verdade, apenas a contagem de saltos). O que ocorre se redistribuirmos em IGRP, por exemplo? Vamos analisar:

   Router(config)#router igrp 10
   Router(config-router)#redistribute connected
   Router(config-router)#default-metric 10000 100 255 1 1500

ou

   Router(config)#router igrp 10
   Router(config-router)#redistribute connected metric 10000 100 255 1 1500

Lembrando que as métricas disponíveis ao IGRP (e ao EIGRP) são 5: Bandwidth (10000 no exemplo acima), Delay (100), Reliability (255), load (1) e MTU (1500). Por este motivo temos 5 valores no exemplo acima.

Hmmm, e OSPF? Devemos nos lembrar que no OSPF, o parâmetro “network” não serve para informar quais redes queremos redistribuir, mas sim, quais interfaces devem ter o processo OSPF ativado. O conceito é um pouco diferente. Fora isso, o processo de redistribuição é muito parecido:

   router ospf 1
   network 172.16.10.0 0.0.0.255 area 0
   redistribute static metric 200 subnets

No exemplo acima, incluímos a interface F0/0 no processo OSPF 1, e redistribuímos todas as subredes configuradas estáticamente no router, com métrica = 200. OSPF não inclui subredes no procesos de redistribuição, à não ser que você informe que isso deve ser feito via comando “subnets”.

E quando não queremos redistribuir tudo, em tudo, ou seja, e se tivermos alguma (ou algumas) exceção? Isso é muito comum. Um exemplo clássico… temos um router com 10 interfaces configuradas, dentre elas, uma interface loopback que apenas é utilizada localmente. Não queremos que a rede 192.168.10.0, associada à esta interface loopback, seja redistribuída para outros roteadores. Para excluí-la, podemos utilizar mapas de rotas (ou… route maps). Exemplo:

   Router(config)#access-list 10 deny 192.168.10.0
   Router(config)#access-list 10 permit any
   Router(config)#route-map exclui_loopback
   Router(config-route-map)#match ip address 10
   Router(config)#router igrp 10 
   Router(config-router)#redistribute connected route-map exclui_loopback
   Router(config-router)#default-metric 10000 100 255 1 1500

Pronto! Excluímos desta forma a rede 192.168.10.0 /24, associada à interface Loopback do roteador. Route-maps são ferramentas poderosas, e um tanto quanto complexas. Vale dedicar um post somente à este assunto.

Com isso encerramos esta breve série sobre redistribuição! Ainda há MUITO o que ser falado sobre o assunto, mas acho que estes 3 posts já dão uma boa introdução! Testem alguns dos comandos que passei nestes posts em simuladores (como o Packet Tracer), ou emuladores (como o Dynamips), e observem os resultados! Com a prática, a teoria certamente é melhor sedimentada 😉 !

Espero que tenham gostado!

Um abs!

Marco Filippetti



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13 comentários

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  1. Luiz Gustavo

    Boa!!!!!!!!
    Realmente foi de grande conhecimento….
    Vlw!!!

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  2. L.C.F.N

    Legal mesmo!
    Não conhecia o método citado acima para anunciar todas as redes diretamente conectadas com o comando redistribute connected, economiza a digitar comandos além de ser prático.

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  3. kinghost.net

    teste

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  4. Israel Carlos

    Vlw Marco..

    Aguardando seu post sobre route-map.

    abs

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  5. elyzao

    Filippeti, muito obrigado pelo post.
    Na academia CCNA a gente não ver router-map, onde eu posso pegar conteudo pra estudar sobre o assunto.
    Aguardando o post sobre o router-maps.
    Brigadão Marcão.

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  6. Carlos Almeida

    Ótimo Post!!!

    Oferece um bom conhecimento juntamente com as partes anteriores. Resta agora só praticar pra fixar bem!!!!

    Valeu Marco!! Abraço!

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  7. wagner

    Show de bola o post….

    PARABENS, sua didática é perfeita!!!!!!!!

    Assim como o Elyzao, um de route-maps ou um de IPv6 nivel CCNP seria inexplicavelmente bom…visto que estou estudando para BSCI sozinho e com um ingles nao tao fluente.

    Obrigado e parabéns mais uma vez…

    ABRAÇOS!!!!

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  8. Marcos Silva Jr.

    Ótimo post, Marco, parabéns!
    Posts desse tipo ajudam muito quem está estudando pro CCNP, como eu. Espero que venham mais.
    Abraços!

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  9. Eron Melo

    Mais um para minha galeria em rumo ao CCIE!!!!!!!!!!!!!!

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  10. Rafael Carvalho

    Já tive que usar para solucionar um problema na rede do cliente.

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  11. Diogo Mendes

    teste

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  12. daniellsn

    Marco parabéns pelo Post me ajudou muito.

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  13. Edson

    Legal, valeu pelas dicas.
    O Packet Tracer na versão 5.3.2 e 5.3.3 é bem limitado!
    Ele até aceita alguns comandos de redistribuição, mas não funciona 🙁

    O jeito é apelar ao dynamips.

    Valeu.

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