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maio 05 2009

Crise aumenta investimento de empresas em certificações

Repassando um interessante artigo publicado no Terra, mês passado. Confiram!

Por: Fernanda Ângelo     :: 09/04/2009

Uma pesquisa realizada recentemente revelou que as crescentes pressões decorrentes da crise têm tornado os profissionais de TI menos ambiciosos e menos centrados no desenvolvimento de suas carreiras, com 45% deles afirmando ter suspendido quaisquer planos de investimento na profissão. De fato, a decisão de investir dinheiro na especialização em uma determinada tecnologia não é fácil. Ainda mais quando não se sabe o dia de amanhã.

 

Por outro lado, a mesma crise tem obrigado as empresas do setor a buscarem qualificações nas tecnologias de seus parceiros. Aquelas interessadas em sobreviver, especialmente entre os integradores de TI, precisam fazer investimentos no sentido de obter diferenciais em relação à concorrência. E quem ganha com isso são os colaboradores dessas companhias.

 

A explicação é simples: a demanda por qualificação junto a fabricantes acaba por se traduzir em investimentos na certificação de profissionais.

 

Interessada em se estabelecer definitivamente no mercado de redes, Telecom e soluções de conectividade, a FDM Network, por exemplo, investiu em 2008 algo em torno de R$ 28 mil para certificar profissionais em diversas tecnologias de soluções de conectividade da Systimax, marca detida pela CommScope. Só assim entraria para o seleto grupo de 60 integradores no Brasil aptos a instalar hardware e configurar software da companhia. O resultado? Nada menos do que 40 certificações concedidas a oito de seus profissionais. Fábio Sidney, CEO da FDM Network, acredita que se dependesse apenas do investimento desses profissionais, muito provavelmente eles não as teriam obtido.

 

Segundo o executivo, é política da empresa investir na capacitação de seus funcionários, sejam eles da área que forem. “Inclusive, só recebe aumento salarial o funcionário que tiver realizado algum tipo de curso de extensão ou especialização relacionado às suas atividades cotidianas”, destaca Sidney, acrescentando que a FDM destina uma verba mensal especificamente a esses treinamentos. “Desde que relacionados ao seu trabalho na empresa, todos os cursos sugeridos pelos nossos funcionários são subsidiados de alguma forma. Em muitos casos, esse suporte financeiro chega a 100%”, orgulha-se o CEO. Ele conta que os treinamentos devem ser fora do horário de expediente.

 

Ele reconhece que quanto maior a capacitação de seu profissional, maior o risco de perdê-lo para concorrentes. “Esse risco torna ainda mais difícil a decisão de investir nos profissionais e este é um dos motivos pelos quais muitas empresas seguram investimentos nesse sentido”, afirma. “É uma questão delicada, que envolve ética”, diz Sidney. As alternativas para minimizar esse risco, segundo o executivo, são os contratos que obrigam a permanência do funcionário na empresa por um determinado tempo após a conclusão do treinamento ou o investimento em ações paralelas que garantam a satisfação desses profissionais. “A FDM investiu em uma série de programas envolvendo o RH e outras áreas da empresa para assegurar que nossos profissionais não queiram sequer ouvir outras propostas”, revela.

 

A estratégia parece ter surtido efeito. “No último semestre não perdi nenhum profissional para o mercado”, celebra. E o motivo não foi a falta de propostas. Caio Esteves, analista de TI da FDM Network e um dos oito certificados nas tecnologias Systimax, conta que recebeu recentemente uma proposta de uma operadora de telecom, mas declinou. “O investimento e a aposta que a FDM deposita em mim me fazem, no mínimo, analisar com muito cuidado qualquer proposta para deixar a empresa. Um salário superior muitas vezes não compensa deixar o bom ambiente de trabalho e as boas oportunidades de crescimento que a empresa nos garante”, avalia.

 

Esteves discorda dos profissionais que congelam planos de carreira por medo da crise, embora compreenda o fato de muitos colegas temerem investir na certificação em tecnologias que podem, amanhã ou depois, desaparecer do mercado. “Eu sempre investi na minha especialização, invisto e continuarei investindo”, assegura, destacando que muitas certificações, embora oferecidas por um determinado fabricante, servem para produtos de outros. “Há especializações, como as da Cisco, que servem para soluções de outros fabricantes, como 3Com, Juniper e Enterasys”, exemplifica. “Outras envolvem muitas questões de normas de mercado, que independem do fabricante.”

 

Além das certificações nas tecnologias Systimax, o analista detém certificados da Microsoft e Cisco, entre outros tantos. “A FDM também me permitiu obter a certificação em Áudio Codes, tecnologia de telefonia IP”, lembra.

 

Em muitos casos, quando buscadas por companhias, essas certificações saem a preços inferiores àqueles de que quando procuradas individualmente pelos profissionais. Sidney conta que empresas como Linksys e a própria Áudio Codes, por exemplo, oferecem esses treinamentos aos funcionários de parceiros sem nenhum custo.

 

Quanto mais alto o nível de parceria entre o integrador e fabricante, maiores são os investimentos e benefícios concedidos pelo segundo ao primeiro. “Os benefícios são repassados em forma de treinamentos, bonificações, prêmios e treinamentos com profissionais estrangeiros dos fabricantes”, afirma Alexandre Otto, CEO da IPconnection, outro integrador do mercado de TI e Telecomunicações.

 

Além disso, diz o executivo, há projetos em andamento que solicitam instalações fora do país. “Em muitos casos é mais vantajoso mandar um colaborador para o exterior do que firmar algum tipo de parceria com empresas locais”, diz Otto, acrescentando ser esta outra excelente oportunidade de capacitação e experiência internacional a serem acrescentadas ao currículo do colaborador.

 

Otto conta que em 2008 sua empresa enfrentou dificuldades para encontrar no mercado profissionais qualificados e especializados para ocupar suas vagas em aberto. Foi quando a IPconnection decidiu investir em parcerias junto a fabricantes com os quais atua. “Colocamos mais pessoas nos cursos com parceiros e realizamos uma série de treinamentos internamente”, revela, acrescentando que a IPconnection tem investido em práticas de compartilhamento e gestão do conhecimento na empresa.

 

Independentemente dos modelos de investimentos em especialização adotados pelos empregadores, no fim das contas, quem ganha é o seu colaborador, que, mesmo sem investir recursos próprios obtêm certificações e experiências para enriquecer seus currículos.

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8 comentários

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  1. Miguel Gustavo

    Aproveito o post para dizer que a empresa que eu sou funcionário conseguiu a certificação Advance Security da Cisco.

    Cisco Channel Specialization Team

    The renewal application for Advanced Security is due 04 May 2010.

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  2. Rafael Carvalho

    Rumo ao CCVP e não gastei nenhum tostão com exames.
    Apenas com os livros, porém são gastos que valem a pena.
    Agora falta aqueeeele salário

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  3. Nelson Sauer

    Ahhh. um dia vou ter esse privilegio, más por enquanto é por minha conta… Aê Marco, pessoal, so uma pergunta, pra nós que somos de Redes, qual certificação é mais importante, em ordem… por favor, é que tou com essa duvida mo tempao e nao tive uma resposta legal… CCNA sei que vem em 1º lugar, más depois qual ITIL, LINUX, MICROSOFT, qual a ordem de importancia das tres… Valeu gente

    Abs..

    Nelson Sauer

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  4. jgrizolli

    Achei muito interessante o post, eu trabalho hoje em uma empresa global que atua em mais de 60 países diferentes, e pelo menos até agora esse tipo de pensamento não foi adotado pela mesma, se eu quiser me certificar em alguma tecnologia tenho que fazer por minha conta , acho que com esse tipo de atitude a empresa pode sim ser perder o bom profissional para uma outra concorrente,levando em consideração que a mesma não te ajudou ou te incentivou para esse investimestimento que ela mesma acaba sendo beneficiada enquanto o profissional faz parte do grupo.

    SDS.

    Junior

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  5. Hudson Pereira

    Otimo Post, Segunda-feira participei de uma palestra ministrada pela IBM, no qual a palestrante relatou o mesmo assunto do post, A palestrante relatou que dentro da IBM é necessario uma certificação por ano.

    Abs…

    Hudson Pereira

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  6. André Santana

    tt

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  7. André Santana

    Seria muito bom se todas as empresas investissem na formação de seus atuasi funcionários pois já conhecem as capacidades, acho que é melhor que contratar outro analista, há não ser que seja urgente a necessidade de um profissional e tal.

    Abraços!

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  8. davidelvisrosa

    Também acho qccna, muitas vezes as empresas buscam economizar em relação a isso e buscam profissionais que ja possuem as capacidades e certificações, que é mais rápido e não gastam com os funcionarios existentes.

    abraço!

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