«

»

set 07 2009

Entenda melhor o PLC – Power Line Communications


Conforme prometido, segue um post sobre um tecnologia que não é exatamente nova, mas tem sido bastante falada recentemente. Trata-se do PLC, ou “Power Line Communication”. Como o próprio nome sugere, a tecnologia PLC foi criada para permitir o transporte de dados através de uma das redes mais disponíveis em todo o mundo: A rede de energia elétrica. Assim, como faz uso de uma infra-estrutura já disponível, não necessita de investimentos para ser implementada – residindo aí sua grande vantagem. As redes PLC são definidas na camada 2 do modelo ISO/OSI, podendo coexistir com outras tecnologias de camada 2, sem problemas.

A utilização das redes de energia para transporte de dados já existe desde 1920. Entretanto, apenas a partir de 1991 é que vislumbrou-se a possibilidade de seu uso para transmissão digital de dados, a alta velocidade. Entre 1995 e 1997, ficou demonstrado que era possível resolver os problemas de ruído e amenizar as interferências, provando que a transmissão de dados de alta velocidade poderia ser viável.

Existem, basicamente, dois tipos de PLC:

  • A primeira é a interior (indoor), onde a transmissão é conduzida usando a rede elétrica interna de um apartamento ou de um prédio;
  • A segunda é o exterior (outdoor), onde a transmissão é conduzida usando a rede pública exterior de energia elétrica.

O princípio básico de funcionamento das redes PLC é semelhante ao princípio que deu vida à tecnologia xDSL, ou seja, a segregação de frequências. A energia elétrica convencional trabalha na casa dos 50 a 60 Hz, enquanto que os dados são gerados na casa dos 1 a 30 MHz. Como a separação de frequência é bastante grande, ambos os sinais podem conviver harmoniosamente, no mesmo meio. Com isso, mesmo se a energia elétrica não estiver passando no fio naquele momento, a transmissão de dados não será interrompida.

Uma das características do PLC é que ele opera de modo síncrono – diferentemente do aDSL, por exemplo – ou seja, as taxas de recebimento e transmissão são as mesmas.

O caminho do sinal

O sinal do PLC sai da central, indo para o injetor, que vai se encarregar de enviá-lo à rede elétrica. No caminho, o repetidor tem a função de não deixar com que os transformadores filtrem as altas frequências.

Chegando perto do destino, o extrator deixa o sinal pronto para o uso. O sinal chega então até o modem PLC, que o converte em dados. No trajeto poste-casa, podemos ter 3 meios: fibra óptica, wireless ou a própria fiação elétrica, este último sendo o mais barato – e provável.

Vantagens do uso da PLC

Uma das grandes vantagens do uso da PLC é que, por utilizar a rede de energia elétrica, qualquer “ponto de energia” pode se tornar um ponto de rede, ou seja, só é preciso plugar o equipamento de conectividade (que normalmente é um modem) na tomada, e pode-se utilizar a rede de dados. Além disso, a tecnologia suporta altas taxas de transmissão, podendo chegar a 200Mbps, quando operado nas faixas frequência de 1,7 a 30 MHz.

Desvantagens do uso da PLC

Uma das maiores desvantagens do uso da tecnologia PLC é que qualquer “ponto de energia” é um ponto de interferência em potencial, ou seja, todos os outros equipamentos que utilizam radiofreqüência, como receptores de rádio, telefones sem fio, alguns tipos de interfone e, dependendo da situação, até televisores, podem sofrer – e gerar – interferência. A tecnologia é definida na faixa de freqüências que vai de 1,7 a 50MHz. Outra grande desvantagem é o fato do PLC operar em modo half-duplex, além de ser um sistema de banda compartilhada (shared bus), onde todos compartilham o mesmo meio. Estas duas características fazem com que as desvantagens sejam gritantes em comparação com outras tecnologias – como o xDSL. Em alguns países, inclusive, existem movimentos e ações judiciais contra a instalação desta tecnologia.

Outro fator negativo das redes elétricas é sua oscilação: características como impedância, atenuação e freqüência podem variar drasticamente de um momento para o outro, à medida que luzes ou aparelhos conectados à rede são ligados ou desligados. Além disso, se a intenção for transmitir informações a longas distâncias, os transformadores de distribuição são verdadeiras barreiras para a transferência de dados. Apesar de permitirem a passagem de corrente alternada a 50 Hz ou 60 Hz (frequências utilizadas pela transmissão de energia convencional) com quase 100% de eficiência, os transformadores atenuam seriamente outros sinais de maior freqüência (como os usados para transportar dados).

Espero que tenham gostado!

Abraços e boa semana!

Marco.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/PLC
http://www.arrl.org
http://www.arrl.org/tis/info/HTML/plc/files/C63NovPLC.pdf



Comente usando o Facebook!
0
0

18 comentários

Pular para o formulário de comentário

  1. gudines

    Muito Interessante Marco! Valeu por compartilhar!

    0

    0
  2. Anderk

    Muito bom o POST……….Ótimo saber a respeito de tecnologias que podem auxiliar a transmissão de dados.
    E parece ser bem interessante poder conectar a partir de qq ponto elétrico…….msm com as desvantagens, acho q vale a pena investir.
    Talvez isso ajude a baratear os custos, seja pelo aumento da concorrencia, seja pela facilidade disso de chegar a locais inviáveis hj.
    Parabéns

    Abraço

    0

    0
  3. Hudson Pereira

    Ótimo post Marco…..Aqui na minha cidade a copel esta testando essa tecnologia em alguns clientes, porém é necessario em algumas casa ser
    feito algumas adquações na rede interna de energia do cliente para melhor performance da tecnologia, imagina daqui algum tempo podermos controlar
    o fogão, geladeira é tudo que estiver ligado na energia eletrica pelo computador hehehehehhe, como o Marco comentou as tomadas podem gerar interferência , imagine
    se for igual ao telefone que qualquer chuva ou humidade gera problemas…. Na minha visão essa tecnologia tem muito que falar ainda..

    Forte Abraço

    Hudson Pereira

    0

    0
  4. rgrsilva

    Tinha pedido PLC como sugestão de post… =)
    Já testei transmissão de dados via rede elétrica com um dispositivo (do mercado negro). Foi interessante a experiência!
    Acredito que o maior benefício da PLC é o acesso à Internet para áreas remotas, desprovidas de qualquer tecnologia de redes.

    [ ]’s

    0

    0
  5. douglasfc

    Otimo post Marco, estava com saudade de posts mais tecnicos….:D

    concordo com o rgrsilva, PLC pode ser uma boa alternativa para localidades isoladas.

    0

    0
  6. William

    Marco parabéns pela matéria, este dias estava procurando este assunto, pois um amigo meu fez uma pergunta, e eu não conseguir responder, pesquisei na internet, e não achei, é uma pergunta até boba. O uso da tecnologia PLC poder conectar a partir de qualquer ponto elétrico, e com isso gastariamos energia e o serviço de dados, ou só o serviço de dados.
    Se alguém souber me fale….

    Obrigado a todos!!!

    0

    0
  7. wagner

    Excelente post!!!

    Mas nao sei se seria uma boa coisa, principalmente aqui no RJ, onde o “gato” de luz come solto…Acredito que o “gato” seja algo bastante complicado pra essa tecnologia, não sei.
    Pra pontos isolados como o rgrsilva mencinou, pode parecer uma boa, mas half-duplex e a interferencia pode ser algo desanimador. Espero que apareçam boas concorrentes aí para o bendito Velox(banda larga da OI).

    Vamos esperar pra ver.

    Parabéns Marco, belo post!

    0

    0
  8. Guilh3rme

    Muito interessante!

    Depois de ler a matéria e o comentário do pessoal…

    Acho que precisaremos de muuuuuuita segurança, não acham?

    Abraços!

    0

    0
  9. adhan

    Muito bom …obrigado por compartilhar….parabens

    0

    0
  10. grillmon

    Bakana… e muito interessante.
    Fica agora a questão, será que esta tecnologia vai emplacar? Aparentemente parece q sim… vamos aguardar.

    0

    0
  11. diogocampregher

    Sejamos realistas pessoal, a idéia é legal mas se realmente fosse viável ela já estaria em uso. Mais que qualidades, ela possui “poréns” gritantes. Em algumas aplicações talvez seja eficiente, mas na maioria das outras, talvez não.
    Abraços

    0

    0
  12. Victor

    Muito bom Post… temos que estar “antenados” em todas as possibilidades..
    Na minha opinião a proposta da tecnologia é muito boa e seria uma ótima alternativa para difundir o acesso mas vejo que uma tecnologia que já nasceu morta.
    Já vi sua utilização em acesso de ISP Wireless para evitar a passagem de cabos no cliente, mas como comentado no post a interferencia é grande. Em áreas urbanas a repetição do sinal a cada trafo tornaria o custo inviável além de aumentar consideravelmente os pontos de possíveis falhas.
    Acredito que a melhor utilização seria em áreas rurais onde o número de trafos é reduzido mas como sempre esta área de acesso não é tão interessante para os ISP e não iriam gerar lucro que justificasse o investimento ….. acredito que não irá se difundir.

    abraços

    0

    0
  13. halisonac

    Muito bom o Post
    Alguns anos atrais cogitaram a utilização dessa tecnologia para lugares com difícil acesso a internet, como a maioria desses lugares existia rede elétrica porém não existia como disponibilizar internet cogitaram a utilização dessa tecnologia, ma acabou parando por ai e o projeto não foi pra frente

    0

    0
  14. Brenocrs

    Excelente Post Marco , parabéns !

    Mina opinião de leitor do Blog , PLC é uma das tendências de estudo (assim como RF-ID) que estão mais difundidas no ramo de Telecom , todo ano na faculdade da qual estudo sempre tem algum TCC utilizando PLC, e ainda se tem muito a evoluir nas pesquisas de construção de transformadores e sistemas de aterramento.

    Estes dias eu assisti um TCC de um cara na faculdade que utilizava um sistema de PLC para controlar uma aplicação em RS-232, a aplicação não era muito útil , ele piscava uma seqüência de led’s em um sistema receptor,onde esta seqüência ele transmitia via barramento serial (LPT1) de um software que ele construiu , o legal é que era possível ver até que ponto o meio interferia na freqüência de transmissão de forma crítica, dava para ver certinho que mesmo utilizando um sistema BPSK e filtros PLL havia alguns bits que eram interpretados de forma errada .

    Gostei do post…traganos mais coisas assim , é sempre bom saber até onde Telecom esta evoluindo.

    Abrass

    0

    0
  15. Alexandre Avelar

    Legal o post. Eu já testei a alguns anos atrás em um escritório.
    Mesmo em uma distência pequena entre as tomadas (15m), o desempenho foi terrível. Creio que já melhoraram bastante a tecnologia, mas sou um tanto cético quanto a esta possibilidade.
    De qualquer forma, é algo diferente e que pode um dia ser viável.

    0

    0
  16. claytonreis

    Muito bacana este post.

    Mas fico meio cético quanto se essa tecnologia pega aqui no Brasil, em muitas residências as instalações elétricas são muito precárias.

    0

    0
  17. ferrugem

    Já a algum tempo ouço falar dessa tecnologia, mas, assim como comentou o Clayton Reis, tenho lá minhas dúvidas se vai pra frente mesmo esta tecnologia aqui em nosso país.. Particularmente, não é uma área que eu colocaria minhas fichas!

    É esperar pra ver.. Só o tempo dirá se esta tecnologia vai ou não “deslanchar”!

    Ficou muito bom o post Marco.. 😉

    Abraços,
    Felipe Ferrugem!!!

    “Juntos somos ainda melhores!!!”

    0

    0
  18. Carlos Almeida

    Ótimo Post Marco!!!

    Essa tecnologia, acredito, ainda será ponto para muita discussão. De fato, existem muitos poréns, mas seria uma solução para muitos problemas que existem atualmente!!!

    E viver para ver o que vai dar!!!

    []’s

    0

    0

Deixe uma resposta