Redes HFC (Hybrid Fiber Coax) – Parte 2
Postado por: Marco Filippetti em Curiosidades, Artigos -
Imprima este post
Pessoal, o Eduardo Laino contribuiu e enviou um complemento - segunda parte - ao post original sobre redes HFC. Obrigado Eduardo!
Boa leitura!
Como Analista e Projetista de Redes HFC, pedi licença ao Marco para poder prosseguir um post que ele havia começado há tempos atrás, sobre Redes CATV. No post anterior, o Marco escreveu sobre a capacidade do canal de Downstream e da diferença entre os sistemas One-Way e Two-Way, e o funcionamento de um sistema de CATV. Dando uma repassada rápida, CATV significa Community Antenna Television, mais especificamente, uma TV de acesso comunitário, segundo Filippetti. Uma rede com derivações e distribuições até a residência, sendo necessário, às vezes, a amplificação do sinal para pontos mais distantes. No inicio, as Redes de CATV eram formadas por cabos coaxiais que percorriam o caminho a partir de uma central de processamento (HEADEND) até o assinante (residência). A banda de freqüência destinada a essa via está entre 51 MHz a 550 MHz. As redes de cabo coaxiais como descrita anteriormente somente se destinava a transportar sinais radiodifusão aos usuários, portanto, os amplificadores de RF em suas configurações iniciais, somente tinham a capacidade de amplificação no sentido direto. A figura 01 ilustra o diagrama básico dos primeiros amplificadores de RF utilizados nas redes de TV a Cabo.

Após algum tempo, houve a necessidade em utilizar esta mesma rede para serviços que exigiam a transmissões em ambos os sentidos, ou seja, tráfego de sinais em ambos os sentidos. A partir daí, a arquitetura dos amplificadores de radiofreqüência teve que evoluir de tal forma que pudessem separar as duas faixas de freqüências e amplificá-las de forma distinta.
Assim, os amplificadores foram incrementados com filtros que separam as duas faixas de freqüências encaminhado-as para os circuitos amplificadores específicos. A figura 02 ilustra o diagrama básico dos amplificadores com circuitos distintos de amplificação da via direta e reversa utilizados nas redes de TV a Cabo.

Como as primeiras topologias apresentavam uma distribuição ramificada, os sinais de retorno chegavam combinados à central de processamento (HEADEND) somada com toda contribuição de ruído de todos os amplificadores e também, com todos os ruídos que ingressavam na rede de forma indesejada. A figura 03 ilustra a topologia das primeiras redes.

Muitos fatores contribuíam de forma significante para um baixo desempenho, além da grande quantidade de amplificadores em cascata e da topologia da rede implementada na época, tais como, variações de temperatura, que afetam nas atenuações dos cabos, nos ganhos dos amplificadores e nas características de perdas nos elementos passivos dos amplificadores, tornando a rede vulnerável às variações nos sinais transmitidos acarretando uma relação portadora ruído variável.
Com o desenvolvimento do sistema de transmissão óptico analógico, foi possível criar uma rede mista com aplicação de cabos ópticos para o transporte dos sinais até elementos opto eletrônicos capazes de converter novamente os sinais em rádio freqüência para serem distribuídos pela rede coaxial, porém, com número reduzido de amplificadores. Com a aplicação de cabos ópticos, o número de amplificadores em cascata pode ser reduzido a um número menor que 3, permitindo uma ampliação considerável na largura de banda das redes, aumentando sua capacidade e melhorando as características de ruído no canal.
A figura a seguir mostra que o cabo coaxial troncal foi substituído pelo cabo de fibra óptica.

A partir destas primeiras implementações, foram surgindo novas configurações para a rede sendo introduzido o conceito de células de radiofreqüência. A célula é uma área alimentada por um único nó óptico conectado diretamente a central de processamento (HEADEND) por uma rede óptica. Desta forma, surgiram novas topologias que foram sendo aplicadas em melhorias de redes antigas e em projetos de novas redes, como por exemplo, as topologias FTB e FTN.
• Topologia FTB ( Fiber to Bridger) : Célula com número de possíveis usuários variando entre 150 a 500.
• Topologia FTN ( Fiber to the Node) : Célula com número de possíveis usuários menor que 50.
Com a redução do custo dos cabos ópticos, novas tecnologias estão surgindo e sendo implementadas para aplicações Triple Play, como FTTx, GPON e GEPON. Essas redes serão assuntos para próximos posts.
Eduardo Laino
Popularity: 4% [?]
ShareLeia também:
- Redes HFC (Hybrid Fiber-Coax) - Parte 01 - O início
- REDES FTTx – UM FUTURO NADA DISTANTE
- REDES ÓPTICAS PASSIVAS (PON’s)
- Usando um analisador de pacote para troubleshooting de rede - parte II
- Usando um analisador de pacote para troubleshooting de rede - parte III
- Usando um analisador de pacote para troubleshooting de rede - parte I
- WDM - O Futuro das Comunicações Ópticas
- QoS (Qualidade de Serviço) - parte I
- Tutorial OSPF - Parte 2
- O Protocolo BGP4 - Parte 1
- Redes Metro-Ethernet
- Cisco Unified Communications Manager Express - parte I
- Multi Protocol Label Switching (MPLS) - Parte 1
- Unified Communications - Parte I
- Tutorial OSPF - Parte 6
21 de January de 2011 às 7:32 am
Artigo bem conseguido. As arquitecturas das redes opticas sao assunto muito restrito de tecnicos da area e dificilmente saem a publico, dai que as vezes tecnicos de redes sem experiencia de telecom se sintam um pouco perdidos. Contudo é uma materia muito divertida e interessante de se aprender, muito mais ainda quando se fala de arquitecturas passivas e acivas de redes opticas.
Obrigado.
21 de January de 2011 às 8:09 am
Li a parte 1 agora pouco e com a continuação deste, o assunto foi ficando cada vez mais interessante… Pra mim, é interessante entender tecnologias desde o início para então ter uma boa compreenssão da evolução da tecnologia devido as suas necessidades. Gostei!!!!!
21 de January de 2011 às 10:23 am
Muito bom, obrigado pela iniciativa.
21 de January de 2011 às 3:40 pm
Material de primeira, assim como a outra parte… parabéns Eduardo, continue escrevendo aqui pra nós!…
Não sei o pessoal, mas eu pelo menos não mexo nada nada com isso, mas é sempre bom estudar a respeito.
Abs!
26 de January de 2011 às 12:43 pm
Parabéns Eduardo!
Assim como o Deco, eu também não mexo com isso, mas quem sabe um dia.
Conhecimento nunca é demais.
Abs!
26 de January de 2011 às 1:16 pm
Valeu por compartilhar conosco Eduardo!
Abs e sucesso,
Felipe Ferrugem!
“Juntos somos ainda melhores!!!”
6 de February de 2011 às 9:42 pm
muito bom o post Eduardo .. entrei no ramo de CATV recentemente e ta sendo muito bom .. um aprendizado gigantesco
parabens pela qualidade do post
vamo q vamo \o/
8 de February de 2011 às 5:10 pm
boliveira, estamos juntos. Quando precisar de algo, me avise. Email: dulaino@gmail.com
10 de February de 2011 às 11:43 am
Artigo muito bom.
Essa tecnologia é a nova tendência de algumas operadoras.
Já esta sendo intalado em alguns estados como Minas / Interior SP / Goiás.
Vamos esperar para vê o resultado.
Um abraço.