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mar 30 2014

Por que QoS?

Por Roberto Mendonça – CCIE e instrutor do curso MPLS online na Cloud Campus.

No início da década de 90 houve uma grande motivação para a integração das rede,  já que até então, era necessário que cada serviço (voz, vídeo e dados) tivessem sua infraestrutura isolada, o que gerava um alto custo com serviços de telecomunicações.

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Nesta mesma época o protocolo IP se popularizou, passando a ser utilizado por diversas aplicações e serviços. Os serviços de Voz e Vídeo, assim como suas sinalizações, passaram a ser transportados via IP. Com esse “Mundo Convergente”, o principal desafio dessas redes integradas era garantir que aplicações com características e requisitos diferentes pudessem compartilhar a mesma estrutura, mantendo a mesma qualidade e desempenho.

Sendo o protocolo IP um protocolo de Best Effort,  todo tráfego é tratado da mesma forma, sem distinção. Portanto, aplicações sensíveis ao atraso, por exemplo Voz e Vídeo,  seriam tratadas da mesma forma que um tráfego de E-Mail, FTP e qualquer aplicação P2P,  provocando uma má qualidade na transmissão de Voz e Vídeo.

Neste contexto, entra o QoS (Quality of Service),  que consiste em tratar de uma forma diferente, fluxos que são diferentes.

Portanto, a Qualidade de Serviço em uma rede pode ser definida como a habilidade de uma rede fornecer o melhor serviço para determinados usuários ou aplicações, em detrimento de outros usuários e aplicações, ou seja, uma forma especial de dar um tratamento diferenciado para algumas aplicações.

O crescimento acelerado das aplicações sobre IP contribuiu muito para que a Qualidade de Serviço seja de fundamental importância para as redes de computadores nos dias atuais, suportando múltiplos serviços.

A Qualidade de Serviço passou a ser um negócio de suma importância para os ISP (Internet Service Providers), os quais antes se limitavam apenas a fornecerem serviços de acesso à Internet e à concessão de circuitos para interligação de redes de longa distância, as conhecidas WANs. Com o forte uso do protocolo IP para transporte de diversas aplicações, esse novo leque de oportunidade se abriu para todos os ISP, passando a ser um serviço fundamental para satisfazer os requisitos das aplicações dos clientes.



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6 comentários

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  1. rafaelbn

    Pergunta filosófica: Com o Marco Civil sendo aprovado com o texto atual, QoS não seria fora da lei? Uma vez que os ISP compartilham toda a infra, sabemos que um link dedicado tem por trás políticas de QoS para priorizá-los no backbone de maneira a manter sempre aquela banda/delay aceitáveis. Se o Marco Civil diz que a neutralidade na rede deve ser preservada e todos os pacotes devem ser tratados iguais entendo que Marco Civil e QoS não serão amiguinhos… Estou ficando louco?

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  2. Marco Filippetti

    Rafael, a pergunta é interessante. Mas veja que QoS não está diretamente relacionado ao acesso Internet. QoS é aplicado ao backbone normalmente em serviços comercializados para corporações, como MPLS e outros. QoS aplicado a um acesso Internet sim, seria ilegal (seria uma forma de traffic shapping).

    Abs

    Marco.

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  3. rafaelbn

    Marco, eu fiz essa mesma pergunta em um grupo de CCNA que existe no Facebook. Que fique bem claro que eu não estou tentando defender um ponto de vista, mas de acordo com o que eu li do Marco Civil entendo que internet e backbone são tratados como a mesma coisa. Veja:


    Art. 5º Para os efeitos desta Lei, considera-se:
    I – Internet: o sistema constituído de conjunto de protocolos lógicos, estruturado em escala mundial para uso público e irrestrito, com a finalidade de possibilitar a comunicação de dados entre terminais por meio de diferentes redes;

    .
    .
    .

    CAPÍTULO III
    DA PROVISÃO DE CONEXÃO E DE APLICAÇÕES DE INTERNET

    Seção I
    Do Tráfego de Dados

    Art. 9º O responsável pela transmissão, comutação ou roteamento tem o dever de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, sem distinção por conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicativo.

    Entendo isso como todos os equipamentos conectados que fazem um pacotinho chegar na internet. E no meio desse caminho certamente tem algum roteador de Core/Borda que aplica um QoS nos links corporativos para eles serem mais estáveis do que a conexão de internet do Joãozinho vendo um video no youtube…

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  4. Marco Filippetti

    Bruno, o backbone é o mesmo, mas serviços Internet não adotam QoS diferenciado no Backbone. Eu trabalhei em várias operadoras e lhe garanto isso. Acesso Internet vai tudo por um “tubão”, sem diferenciação de serviços. Claro que há operadoras que fazem traffic shapping no acesso Internet, mas isso não é permitido. Fazem sem poder fazer. Mas existem operadoras que não fazem, respeitando a neutralidade do tráfego.

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  5. Roberto Mendonça

    Essa discussão levantada pelo Rafael dá muita carta pra manga.
    Trabalho em um provedor e acho que o QoS vai sempre ser necessário e continuar a existir, independente do Marco Civil, pois passou a ser um serviço ofertado pelo ISPs aos seus clientes, sendo também uma estratégia de negócio.
    O uso do QoS na Internet sempre foi muito complicado para garantir, mas em um backbone privado, isso é uma prática comum.
    Bem, não sendo uma infraestrutura comum, para links dedicados o ISP tem que sempre garantir os níveis de serviços de seus clientes e para isso o QoS é uma boa prática. Já para links compartilhados, aí sim a coisa complica um pouco, mas mesmo assim a qualidade do envio das aplicações deve ser garantido.

    O futuro irá nos responder à esses questionamentos, mas eu acredito muito que o QoS irá sempre existir.

    Abs,

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  6. Marco Filippetti

    Concordo com o Roberto! Enquanto houver compartilhamento de rede / banda, QoS terá seu papel muito bem definido, garantido e necessário. É utópico achar que operadoras têm de oferecer banda na relação 1:1. Ninguém sobrevive com um modelo de negócio destes. Nem os usuários, que teriam de pagar uma fortuna. Mas no ACESSO à Internet, não deve existir priorização por aplicação. Isso é o que caracteriza o shapping.

    Abs!

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  1. Blog CloudCampus Networking Academy » Arquiteturas de QoS - Parte 02

    […] Olá pessoal, vamos hoje à nossa segunda parte do post sobre QoS. Se vocês não tiveram a oportunidade de ler o primeiro, clique aqui! […]

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