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mar 16 2016

Tet-a-Tet: Anderson Mota, HEPTA CCIE (isso, 7 x CCIE)

Conheci o Anderson quando trabalhamos juntos na AT&T, há 12 anos. Éramos novos na época (ele mais do que eu, claro). Anderson era um guri esperto. Rápido, ativo, “safo”. Mostrou à que veio. Estudou, batalhou, mostrou para todo mundo que, com esforço, é possível chegar lá. Este “lá”, no caso dele, é um lugar um tanto quanto exclusivo. Um lugar que, hoje, tem menos de 10 pessoas no mundo inteiro. Anderson conquistou há pouco tempo o seu SÉTIMO CCIE, tornando-se uma lenda. Convido-os a conhecer um pouco desta pessoa incrível, gente fina, solícita e sempre com tempo para os amigos! Nesta entrevista, Anderson passa várias dicas sobre o CCIE e sobre carreira. Vale lembrar que ele tem um curso com a CloudCampus sobre MPLS avançado.

Espero que gostem!

 

Início da Entrevista

Blog CCNA: Anderson, você chegou recentemente ao 7o título CCIE – algo que muitos consideram apenas 1 algo bastante intangível. Pode nos contar um pouco sobre sua trajetória, desde o 1o até o ultimo?

Anderson: Aos 19 anos havia decidido que para aprender mais na minha área e também ser mais competitivo no mercado de trabalho de TI eu precisaria melhorar o meu Inglês, então comecei a procurar programas de intercâmbios que pudessem me ajudar a morar um tempo fora do país e foi quando cheguei até o STB (Student Travel Bureau), havia decidido que Londres seria o lugar o país e comecei a ver colégios e casa de família Inglesa para hospedagem, foi ai que decidi pagar por 2 meses de curso intensivo na King Cross College e hospedagem em uma residência Inglesa. Pude aprender muito Inglês na época mas sentia que ainda precisava melhorar mais o nível de Inglês, durante o processo comecei a procurar empresas do ramo de TI que pudessem me ajudar com a obtenção de um work permit para residir legalmente no país, foi ai que cheguei até a um processo seletivo na Compaq, fiz todas as inscrições e comecei até a participar de entrevistas sempre omitindo a informação que na época não tinha passaporte europeu (o que resultaria que caso eles não estivessem dispostos a pagar os custos para obtenção do visto eu jamais conseguiria trabalhar legalmente em UK), fiz todos os testes técnicos e entrevistas e já no pedido de papéis finais avisei que não possuía até então o passaporte europeu, a minha futura gerente na época havia gostado tanto de mim que resolveu esperar 2 meses pela obtenção e custear pelo visto de trabalho. Voltei ao Brasil para obtenção de mais alguns papéis e voltei já empregado pela Compaq em Londres, já com a compra na época da Compaq pela HQ, houve uma transferência do centro deles à Dublin, algo que gostei muito também e pude obter muito mais conhecimento e experiência, não somente no idioma mas com servidores. Finalizei nessa época meu CCNP e já pensava no tão sonhado CCIE, foi ai que já não mais contente na HQ resolve me desligar e voltar ao Brasil, como havia feito muito networking com europeus, em contato com amigos consegui um convite para ir morar na Espanha. Fui até a Espanha falando quase nada de espanhol, e gostei tanto do país que resolvi me estabelecer lá eventualmente por 1 ano que no final resultou em bons e longos 8 anos de residência legal. Passei por integradoras de TI como NextiraOne e Dimension Data até chegar na área de investigação e desenvolvimento na Telefonica em Madri. E já ganhando em euros e mais estável financeiramente falando, resolvi estudar para o primeiro CCIE de Routing e Switching, então comecei comprando livros, foi quando cheguei a conhecer o INE (Internetwork Expert) e fui até um dos seus beta testar dos workbooks, foi um processo duro por não conhecer um plano bom de estudo mas obtive muita ajuda de bons profissionais e após 1 ano de estudo duro consegui aprovar na primeira tentative ao laboratório em Bruxelas, depois tomei gosto pelos estudos e na sequência estudei para o CCIE de Service Provider que também estava muito bem preparado e consegui aprovar na primeira tentativa e pensei, estou indo tão bem e porque não tentar Segurança. Montei um plano de Segurança e na época conheci a Netmetrics Solutions, eles eram um dos melhores para formação de CCIE de Segurança na época, comecei estudando por eles e depois recebi um convite para ser instrutor de bootcamps de CCIE de Routing e Switching, aceitei e estudei com eles mas infelizmente dessa vez não aprovei na minha primeira tentativa, ai tive o sentimento de tristeza por haver falhado mas não deixei isso me derrotar, estudei pesado por mais uns 3 meses e tentei novamente onde ai então consegui aprovar. Já com 3x CCIEs e por alguns problemas de saúde em família resolvi que era hora de voltar ao Brasil, voltei então ao Brasil e quando consegui entrar como Consultor na Telsinc (hoje empresa comprada pelo grupo Sonda it), consegui montar não só um plano de carreira técnica como gerencial (o que me proporcionou um MBA de Gestão Estratégica e Econômica de Negócios na FGV), e seguindo meus planos de estudos foi onde consegui depois de algumas tentativas, na terceira aprovei ao CCIE de Voz, e em seguida ao CCIE de Wireless, Collaboration e por fim em Data Center. Foi um processo bastante difícil o que requereu bastante dedicação e motivação para alcançar esse marco de 7 títulos nesse nível de dificuldade. E o conselho que sempre dou quando me perguntam como eu consegui, eu falo o mesmo que falo à mim que todos nós somos capazes de conseguirmos, a pergunta é o quão disposto a conseguir você está? Pois como o provérbio já diz, no pain no gain, é necessário muitas horas de dedicação e motivação, pois do contrário vai tudo por água abaixo, mas somente devemos querer, pois tudo é possível, e não devemos ninguém nos dizer que jamais conseguiremos, e isso somente cabe a nós.

Blog CCNA: Dentre os 7 títulos CCIEs, qual (ou quais) você diria que foi mais desafiante? E por que?

Anderson: Dentre os 7 que consegui sem dúvida para mim o mais desafiante foi o CCIE de Voz, não acredito que seja o mais difícil de todos os CCIEs atuais, mas sem dúvida para mim foi o que mais me custou aprovar, foram um total de 3 tentativas nesse exame onde consegui aprovar somente na terceira, me lembro que iniciei meus estudos no CCIE de Voz ainda no Call Manager na versão 4 (versão Windows) em 2008, e tive que estudar coisas como recursos em hardware em um módulo no 6500 com CatOS o que era difícil conseguir naquela época ou até mesmo alugar, me lembro que comprei um 4500 usado com CatOS e uma placa com PoE apenas para estudar as mesmas funcionalidades, e no final doei ele para uma sucata, teria ficado bonito como souvenir na minha casa, ou quem sabe poderia ter feito uma churrasqueira improvisada, 🙂 … voltando a questão, depois mudaram a versão do CUCM para a 7 no lab e foi introduzido na época muitas configurações com SIP, o que me custou aprender as novas funcionalidades da versão já em appliance com Linux modificado pela Cisco, o fato de na época não ter tido muita vivência em campo ou em projetos de Voz sobre IP, vejo que foi o que dificultou também na obtenção de conhecimento e preparação durante os estudos para esse tracking. Ainda nessa segunda tentativa não consegui aprovar e havia decidido desistir do programa do CCIE, da obtenção do meu CCIE de segurança a obtenção do meu CCIE em Voz, foram 4 anos, pois realmente havia desistido por uns 2 anos de estudar para qualquer outro CCIE e somente em 2011 havia decidido retomar os estudos, percebi que deixar algo não finalizado ou pela metade iria me fazer mal no futuro mas retomei com uma forma e abordagem completamente diferente de estudo e execução do laboratório. Nos exames do CCIE costumo dizer que não basta ter conhecimento técnico, além do conhecimento é necessário possuir um controle emocional baixo stress tremendo, e também tem a parte de gerenciamento do tempo, não basta perdermos 30 minutos em uma pergunta e não ter tempo para concluir as outras e validar, as vezes é melhor deixar algo não feito que vale menos ponto e seguir em frente!

Blog CCNA: Hoje, menos de 10 pessoas no mundo inteiro possuem 7 CCIEs, sendo você um deles. Profissionalmente, como você diria que ter 7 CCIEs mudou sua vida?

Anderson: Hoje olho para trás e ainda é difícil acreditar que consegui superar 7 provas práticas do CCIE, somente quem estudou para um CCIE sabe o quão difícil é todo esse processo, desde a decisão de iniciar nos estudos, ao planejamento das tecnologias e pontos baseado na grade do blueprint do exame, depois vem a dificuldade de saber exatamente quais materiais utilizar para obtenção do conhecimento no processo (diga-se de passagem, fase essa para mim mais prazerosa durante os estudos, a obtenção do conhecimento), e também manter uma cadência nos estudos, chegar cansado as vezes do trabalho e seguir o plano de 3 horas diárias e media de 10 horas no sábado e 10 horas de estudos no domingo. Profissionalmente falando, entendo que haver aprovado em mais de um CCIE te ajuda a ganhar notoriedade no ramo e na medida que é preciso planejar ou até mesmo discutir projetos ou defender designs no tracking ao qual você já superou o exame, te ajuda a que as pessoas acreditem mais no que você esteja tentando expor, já em relação a parte salarial, é ilusão achar que a pessoa a cada CCIE que aprove irá ganhar um super aumento a cada aprovação, e ai hoje em dia vejo que finalizei muito mais uma meta pessoal do que profissional, e me sinto eternamente grato por ter obtido ajuda financeira das empresas ao qual passei durante o processo de estudo até a obtenção, pois não basta ter esforço e dedicação se ao final falta recursos financeiros para a compra dos materiais, alugueis dos equipamentos ou até mesmo compra dos equipamentos até a viagem para a prova, mas sempre soube balançear muito bem isso, na maioria das vezes pagava do meu bolso e na medida que a empresa via que realmente estava disposto a aprovar no exame, me ajudavam com parte dos gastos.

Blog CCNA: Qual o seu próximo desafio? Você pretende buscar o CCDE?

Anderson: Durante o processo dos estudos para o meu último CCIE cheguei a pensar em ir para o CCDE, baixei até o blueprint e comprei alguns livros e baixei slides no Cisco Live 365, mas ai na medida que iria lendo vi que realmente já possuía conhecimento em design e que gosto tanto da área de pós-venda e consultoria que iria me resultar algo não muito prazeroso no processo de estudo para obtenção do CCDE, foi ai então que decidi adiar ao menos de momento o meu plano de obter o CCDE, hoje foco além do meu trabalho consultivo em pós, focar mais em palestras e continuar lecionando em matérias para o curso de pós graduação que hoje leciono, e claro ter algo mais de vida social fora do mundo de TI e redes 🙂 .

Blog CCNA: Que dicas você daria para quem está buscando seu 1o CCIE? Quais materiais você sugere para estudo?

Anderson: A primeira dica que costumo dar para todas as pessoas que estão iniciando na área e pretendem chegar ao CCIE, é acreditar que é possível e realmente fazer um planejamento de como chegar, e isso envolve desde obter conhecimento na área através de execução de projetos, a leituras de bons livros, videos aulas e com isso ir traçando pequenos milestones no planejamento, e acima de tudo focar em melhorar o nível do Inglês, pois sei que por mais que hoje em dia existam excelentes materiais técnicos escritos em Português essa é uma área que muda a uma velocidade muito rápida e na medida que ocorre a mudança a forma mais rápida de se antenar é realmente lendo RFCs ou artigos na fonte em Inglês. Eu por exemplo sou uma pessoa que costumo fixar muito mais o conteúdo em questão durante o estudo com video aulas do que com leituras, então eu sempre gostei de ver palestras, sessões ou video aulas (acho o formato de entrega e tópicos dos vídeos do seu portal na CloudCampus muito interessante para ajudar em parte do processo dos estudos ao CCIE), depois costumava me aprofundar mais no conhecimento obtido com as video aulas através de leituras aos tópicos assistidos , mas entendo que cada pessoa possui uma melhor forma de fixação e por último simulava em labs os conteúdos que estudei, dessa forma não só assistia o que alguém estava tentando me ensinar, mas juntava a teoria depois as minhas práticas em lab, onde ai costumava fazer muitos debugs além de somente configurar e ver funcionando, para entender as trocas de pacotes, negociações e portas utilizadas no processo.

Eu iniciei meus estudos de Routing and Switching em 2005 onde fui um dos beta testers do workbook do INE (Internetwork Expert), na época eles eram pequenos e me lembro que escreviam excelentes laboratórios mas ainda não possuíam as resoluções completas escrita para todos os seus labs. Também vi vídeos do CBT Nuggets, com um instrutor que acho excelente o Jeremy Cioara, e tive o privilégio de estar em um forum de estudos com o Scott Morris, chegava a trocar emails com ele com dúvidas e perguntava como ele na época já conseguir possuir 4X CCIEs e ele de forma bem simples e modesta me falava que se isso era algo importante para mim eu não só conseguiria atingir os 4 como também ultrapassá-lo, foi um dos meus mentores importante no início do meu primeiro CCIE. Também obtive muita ajuda de um instrutor de uma Net Academy na Italia (Bergamo) que sabia que possuía um metodologia excelente de ensino para o CCNP e preparatório para o CCIE, o Rocco Tessicini da Europa Networking, ele me ajudou no processo de coaching e plano de estudo, viajei à Bergamo para estudar no seu centro de treinamento e me lembro que ao saber que além de ser fera em redes, ele era um Italiano que já havia morado no Brasil e que havia se casado com uma brasileira nos tornamos grandes amigos durante o processo de estudo e nos falamos até hoje. O IP Expert possui excelentes materiais de estudos, me lembro que na maioria das vezes quando não estudava com materiais do INE acabava indo para o IP Expert, e gastava uma tonelada de folhas de sulfite e cartuchos de impressão para imprimir todos os workbooks que recebia eletronicamente deles para os estudos (concordo que não fui muito sustentável durante todo esse processo de estudo, rs). E também vejo super importante montar ou participar de grupos de estudos, de preferência com pessoas que estejam morando em outros países, isso não somente te força ter que se expressar com eles em Inglês, como te ajuda a seguir no caminho certo e receber incentivo e apoio moral de pessoas que estão na mesma sede de aprovação que você durante o processo de estudo.

Fim da Entrevista

 

Eu pedi ao Anderson que me enviasse algumas fotos que dissessem algo sobre estes anos caçando as certificações mais difíceis do mundo. Eis uma pequena coletânea 😉



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3 comentários

  1. amaralvictor

    Tenho aulas de pós graduação com o Anderson, além de manjar muito, é muito humilde!

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  2. ghregory

    Ler uma entrevista dessa é motivacional. Escreve ae, eu ainda vou ter meu CCIE. Vou reviver esse tópico ainda contato pra vocês que eu consegui. (:

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  3. Israel Carlos

    Mais um incentivo.

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