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abr 10 2016

Já pensou em trabalhar fora do Brasil? (parte 1)

trabalhofora

Em tempos de crise, vale fazer esta pergunta. E aí? Já pensou? Caso positivo, conte nos comments, depois, sua experiência…!

Neste post, eu vou compartilhar com vocês a minha, e vou aproveitar para passar algumas dicas de como proceder – caso você tenha respondido “SIM” à pergunta acima 🙂

Há exatamente 1 ano e 4 meses eu iniciei na empresa F5 Networks de Londres como Senior Technical Trainer. Antes que me perguntem, eu hoje divido minhas atividades na F5 com as de CEO da CloudCampus – que é uma empresa 100% nacional e, atualmente, gerida pelos meus competentes sócios Odair e Vitorino – aliás, a empresa só cresceu depois que eu sai. E cresceu MUITO. Hoje estamos com mais de 70 cursos e 10 mil alunos ativos 🙂

 

PS: O objetivo deste post não é dividir com vocês os motivos que me levaram a sair do Brasil – politicagem à parte, não foi por causa do PT ou do PSDB ou de qualquer outro partido, mas simplesmente porque houve um casamento entre o anseio de morar em um país interessante com uma boa proposta de trabalho.

 

Tudo começou em Julho de 2015, quando um amigo que havia acabado de participar de um processo seletivo em UK me perguntou se eu não teria interesse em participar também. Eu já estava pensando em mudar-me para a Europa há algum tempo, mas nunca havia – de fato – me mexido para tal. Então, pensei… “Por que não agora?”. E disse a ele que estava sim, interessado. Ele me passou, então, os dados da empresa (F5 Networks) e o contato no LinkedIn da Gerente de Recrutamento da empresa, em UK. E assim, minha aventura teve início.

 

OBS: Vale deixar claro que morar fora, para mim, não seria uma novidade. Eu já havia morado fora por 2 anos, quando fiz minha pós em Engenharia de Telecom, nos EUA (aliás, foi assim que conheci minha esposa 🙂 ). Entretanto, apesar de não ser algo completamente novo, seria um desafio gigante, por uma série de fatores. Para começar, desta vez, eu não iria sozinho. Levaria junto minha família (2 filhos pequenos e minha esposa).

 

Entrei em contato com a Gerente de Recrutamento que, na sequência, me pediu para adicioná-la no LinkedIn. Eles fazem isso para ter acesso ao seu perfil. A maioria das empresas atuais não liga muito para CVs… normalmente usam o LinkedIn – portanto, se você ainda não tem um perfil nesta rede social, crie um com urgência! E crie seu perfil de forma profissional. No mesmo dia, já recebi um e-mail da recrutadora agendando a 1a fase do processo seletivo.

A F5 adota um processo de 4 fases, sendo elas:

  1. Entrevista técnica por telefone com a recrutadora (dura cerca de 45 minutos)
  2. Entrevista técnica por telefone com um consultor da empresa (cerca de 1 hora e meia)
  3. Entrevista não técnica com o Gerente sênior da área contratante (cerca de 45 minutos)
  4. Entrevista final presencial (dura cerca de 6 horas, sendo metade com os gerentes e cobrindo aspectos gerais, e a outra metade bastante técnica, com consultores da empresa).

Mais adiante – talvez em outro post – vou entrar nos detalhes de cada fase. Mas, por hora, quero aproveitar para deixar algumas dicas que julgo serem muito importantes se você está cogitando buscar uma colocação fora do Brasil:

  • Se você pensa em brigar por uma vaga fora do Brasil (em especial, EUA ou Europa), você VAI TER QUE FALAR INGLÊS FLUENTE. Não tem como escapar. Assim, se você pretende participar de um processo fora, lapide seu inglês. Eu vi 2 casos que chegaram até a última fase na F5 e foram rejeitados porque os gerentes acharam que o nível do inglês do entrevistado não era ideal. Vai ter gente falando para você que “empresa tal procura profissionais que falem português”. Pode até ser verdade, mas é português TAMBÉM (e não APENAS português). Não adianta, amigos… não tem saída fácil. Quer se dar bem fora do Brasil? Invista no inglês. Ponto.
  • A Europa, especificamente, está com MUITAS vagas de tecnologia em aberto. Mas MUITAS. E em diversas áreas: Redes, programação, datacenter, collaboration, security, etc, etc, etc. Basta procurar em sites especializados (como o LinkedIn ou Glassdoor) e vocês comprovarão o que eu estou falando. Assim, se a coisa está feia no Brasil, pode ser uma boa oportunidade para buscar seu espaço fora dele. Vejam abaixo o que a F5 postou em seus prédios em Seatlle, ano passado, por exemplo:

f5

  • “Tá, mas e o visto???” Vou falar disso mais adiante, no próximo post! Fiquem ligados!

 

Bom, está tarde por aqui… vou encerrando este 1o post neste ponto. Prometo que vou continuar. Na sequência dele, vou detalhar as etapas de minha entrevista, o meu “processo migratório”, vou passar dicas para quem tem interesse em sair do Brasil (como arrumar seu CV, onde buscar vagas, quanto pedir de salário, etc).

Espero que tenham gostado deste post!

Abraço

Marco Filippetti

 

 



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11 comentários

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  1. jeancog84

    Gostei bastante do artigo, faz algum tempo que quero morar fora do país, não somente pela atual situação do Brasil, mas também pela experiência de vida que quero ter e o que tenho tido de experiência em trabalhar com pessoas de outras nacionalidades aqui. Acredito que será de grande valia para minha carreira.

    Estou ansioso por seus próximos posts, tenho lido bastante blogs de pessoas que foram para fora, mas ter alguém que está trabalhando em uma área que é de muito meu interesse vai ajudar mais.

    🙂

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  2. Marco Filippetti

    Será um prazer compartilhar com vocês, Jean! Esta semana ainda eu posto mais!

    Abs!

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  3. Frederico Guilherme

    Bom dia Marco,

    Também tenho muito interesse em conseguir algo fora e levar a família .. estou aproveitando essa crise para tomar coragem e melhorar o inglês para tentar algo. Seria muito legal você compartilhar essa experiência. Atualmente tenho 2 grandes amigos que estão na Irlanda, 1 deles no primeiro mês conseguiu ingressar na área como network administrator e outro somente agora (depois de quase 2 anos) conseguiu entrar no Dell .. enfim .. troco muitas ideias com os mesmos .. mas é sempre bom ouvir de alguém com mais experiência e na área de interesse, penso que dá uma série legal no blog.

    Abraço

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  4. Flyner Portugal

    Muito bom os detalhes.. Gostei muito.

    mas sinceramente acho que a maior dificuldade é o visto.

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  5. Thiagofiorini

    Excelente Marco.. pude acompanhar parte dessas etapas através do seu outro blog.

    Poderia falar tbm sobre as diferenças culturais e estilo de trabalho(prazos de entrega, pressão etc) ao se tornar expatriado ? Sei que varia muito para cada empresa/setor, mas trabalho em uma multinacional e vejo uma diferença gritante entre a “rotina” de funcionários brasileiros e no exterior.

    E agradeço se puder dar um parecer sobre progressão de carreira na área de redes, voltado pra quem pretende emigrar.
    Por ex: pra quem possui o CCNA, vale a pena continuar estudando e obter o CCNP e então procurar vagas de L2/L3 ? Ou ir com o CCNA mesmo(ou sem nenhuma certificação) e buscar uma entry level ?

    Os processos de seleção geralmente são tão extensos e criteriosos (como no seu caso), mesmo para uma vaga que não seja Senior ?

    Abs !!

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  6. dsoliveira

    Como todos acima, achei excelente o post Marco!

    Tenho lido bastante sobre pessoas fora do Brasil tanto na Europa quanto no Canadá, mas infelizmente não são pessoas da área TI.

    Achei interessante as perguntas do #Thiagofiorini…

    Mas pelo que li também é muito difícil uma empresa contratar pessoas sem, a mesma pelo menos ter o Work Permit ou cidadania, já que eles precisam informar ao governo que não encontrou profissional qualificado e está buscando fora…

    Aguardarei Parte 2…

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  7. thiago andrade

    Marco,
    Bom dia,

    Muito bacana o post espero ler mais sobre a suas dicas pra ir pro exterior. Tenho grande interesse em ganhar uma experiência lá fora e com certeza as suas dicas serão preciosas. Vlw

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  8. Marcelo

    Ansioso pela parte do “Tá, mas e o visto!”” rsrsrs

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  9. Carlos Mantilla Neto

    Muito legal o conteúdo Marco!

    Estou ansioso para chegar até os finais…

    Essa história daria uma saga legal no youtube. 😉

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  10. chainsawman

    Obrigado pelo post, Marco. Veio em ótimo momento pois eu e minha esposa realmente estamos começando a nos organizar para morar fora daqui um tempo.

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  11. Marco Filippetti

    A segunda parte sai hoje! Abs!

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  1. Já pensou em trabalhar fora do Brasil? (parte 2) » Blog CloudCampus Networking Academy

    […] que ele permite, precisarei de uma longa série! Assim, achei por bem dividir o post em tópicos. No primeiro post, eu falei de forma genérica sobre a possibilidade de trabalhar fora e de alguns desafios e […]

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