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abr 19 2016

Sobre a imposição de franquia no acesso banda larga…

franquia

Acho que muitos aqui estão acompanhando o lobby das grandes operadoras em prol da imposição de franquia no acesso banda larga (algo parecido com o que já existe hoje no acesso 3G). E, quem me acompanha no Facebook, sabe que, mesmo tendo trabalhado na maioria das grandes teles, sou completamente contra. Para colocar este ponto em discussão aqui – um canal que considero bastante pertinente e importante – copio meu último post no Facebook sobre o tema:

Qual o papel da ANATEL? Você sabe? Bom, resumidamente, a ANATEL foi criada para defender os direitos do consumidor e para regular o mercado de telecomunicações – exatamente para coibir abusos por parte das operadoras.

Ontem, o Presidente da ANATEL – João Rezende – declarou concordar com as teles que não é mais possível o oferecimento do serviço ilimitado de acesso à Internet. Indo além, ele reconheceu que a culpa disso é, sim, das teles – e aí vem a cereja em cima do bolo – por terem feito no decorrer de anos propaganda de que a Internet poderia ser ilimitada, sempre.

Portanto, segundo João, a culpa não seria da falta de investimentos em infra ou de diálogo das teles com os provedores de conteúdo. A culpa é nossa, que ficamos mal acostumados, e agora que as coisas “precisam” mudar, estamos sentidos.

João foi indicado para a ANATEL pela mesma Dilma que está caindo. Não é cargo de mérito, mas de indicação política. Ou seja, operadoras apertam aqui e ali e elas mesmas acabam indicando o nome de sua preferência – e a presidente acata, já que não vai brigar com empresas que fazem contribuições polpudas para seu partido.

A ANATEL, como tudo no Brasil, é podre. Na gestão de João, por exemplo, a agência já foi acusada de ter recebido propinas milionárias da Oi para reduzir suas multas bilionárias.

Se não houver pressão por parte dos consumidores, assim que a poeira baixar, a imposição da franquia volta com força total. Depende apenas de nós. Não devemos e não podemos aceitar isso. Não há razões técnicas para a imposição da franquia de acesso. Não há! Tanto é verdade que a Tim, por exemplo, diz que não vai entrar nessa. Não é apenas um problema de capacidade. É, na verdade, uma forma que as teles viram de estancar as perdas milionárias com clientes que estão cancelando seus serviços de TV por assinatura e migrando para serviços concorrentes mais baratos e melhores, como o NetFlix. É um golpe baixo.

Nós, como consumidores, devemos buscar alternativas. Devemos cancelar os serviços que não valem o que pagamos. Devemos brigar pelo que é nosso!

Não adianta achar que Dilma caindo o Brasil automaticamente melhora. Não vai ser assim. Ou o Brasileiro começa a se dar valor, ou tudo volta à estaca zero.

Vamos brigar e ganhar esta guerra!

Abs,

Marco Filippetti

 

PS: Para quem não sabe, a NetFlix está presente nos PTTs do Brasil e, não bastasse isso, disponibiliza um canal exclusivo de contato com ISPs e operadoras que desejem trazer seu conteúdo para mais perto de seus clientes (evitando assim, o uso massivo dos links internacionais). O problema é que não é interesse das teles esta conversa, exatamente porque a NetFlix concorre diretamente com os serviços de TV por assinatura por elas prestados. A decisão da franquia não é técnica, mas política.



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5 comentários

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  1. jeancog84

    Infelizmente a Anatel sempre “trabalhou” para as operadoras e não para os consumidores, vemos isso na última fala do chefão da Anatel sobre jogos serem algo que “gasta” muita Internet. Ou seja, querem nos dizer como iremos utilizar um serviço que pagamos.

    Sobre o proxy do netflix, sei que as grandes inclusive já possuem tais caches, além de estarem querendo aumentar a presença nos PTTs.

    Se a franquia é inevitável, que pelo menos seja algo justo.

    Marco, onde você mora, existe essa questão de franquias? Alguém sabe se isso é uma prática em países onde a Internet “funciona”?

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  2. Marco Filippetti

    Jean, em UK atré tem operadoras com planos com franquia. Mas me pergunto se alguém compra. O motivo é simples: Os planos SEM franquia já são extremamente bons e baratos. Eu pago, por exemplo, 15 libras por mês em uma conexão de 50Mbps/30Mbps SEM franquia.

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  3. adao.lino

    Eu penso até que os grandes provedores de conteúdo também deveriam entrar nessa briga, se não já entraram. Netflix, Youtube devem se juntar a nós em defesa da internet sem franquias. Alguém já tentou identificar quem perde com isso? Os vídeos do PT e de outros partidos estão aí nas redes sociais e em seus sites, eu pergunto então: O usuário com limite imposto pela franquia não vai preferir ver os gols do seu time, o filme de sua preferência a ver esses vídeos de políticos que até no uso da rede querem nos prejudicar? Acho que estão dando um tiro no pé.

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  4. Daniel.Matozinhos

    Concordo em gênero, grau e número com que o Marco falou (até porquê, o mesmo tem propriedade para opinar, uma vez que já trabalhou em diversas teles)… Esta medida, em seu cerne, é retrocesso, abusiva, censura, lesiva ao consumidor e; para aqueles que infelizmente “terão que abaixar a cabeça e aceitar esta imposição, seja por obrigação, ou por qualquer outro motivo” é milionária para as empresas.

    Agora, ao invés das teles se queixarem de que suas infraestruturas estão operando em capacidade máxima (de acordo com a utilização de “gamers” e usuários de Streaming), porquê suas redes não acompanharam a evolução (evolução esta que não tem mais volta), e direcionaram parte de seus lucros, no aprimoramento desses ambientes? Eu mesmo, não me encaixo na descrição dos usuários acima citados, mas penso por eles e até mesmo por mim, se em algum momento da vida, meu hábito de uso mudar.

    Minha atitude é simplista (até porque infelizmente hoje, sou cliente GVT (que agora é VIVO): Se impuserem este limite na minha conexão, VOU CANCELAR O SERVIÇO. Se todos agirem dessa forma, vamos ver por quanto tempo esse “Lobby” vai durar!

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  5. lincolngadea

    Eu acredito que o problema seja um pouco de cada coisa…. sabemos que existe uma necessidade de investimento em infra e existe também o lado político da coisa… mas acredito que a homologação de uma decisão desse tipo não implicaria apenas em um problema funcional mas afetaria todo o país tanto economicamente quanto politicamente, portanto não acredito que o Senado irá permitir esse abuso…

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