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maio 04 2016

Já pensou em trabalhar fora do Brasil? (parte 2)

exterior

 

Demorou um pouco, mas aqui está a parte 2! Peço desculpas pelo atraso, mas as coisas estão pegando fogo por aqui 🙂

Hoje, ao me organizar para escrever este post, me dei conta que para cobrir todas as frentes que ele permite, precisarei de uma longa série! Assim, achei por bem dividir o post em tópicos. No primeiro post, eu falei de forma genérica sobre a possibilidade de trabalhar fora e de alguns desafios e requisitos.

Hoje, eu separei um tempo para compartilhar com vocês como foi o meu processo de encontrar um emprego fora. Nos próximos posts, eu discorrerei sobre os seguintes tópicos:

  • Quais são os países “quentes” e onde procurar vagas no exterior
  • Como se preparar para encarar uma entrevista
  • Quais os principais desafios de mudar de pais (aqui eu vou dividir minhas experiências e também algumas vivenciadas por colegas próximos)
  • O “quem indica” funciona fora? Neste tópico vamos cobrir o tema Networking
  • O preparo para a saída (o que fazer com carros, imóveis, móveis e afins, família, amigos, cachorro, papagaio, samambaia, etc)
  • O “depois” da partida e a vida fora (aqui, também baseado em minha experiência própria e na de alguns colegas, que vivem em países diversos)

Gostaram do roteiro? Vai dar muito pano para manga 😉 Espero que gostem!

Vamos lá… hoje o tema é o meu processo de busca de emprego, da entrevista e o momento do “sim”. Achei que seria interessante dividir esta experiência com vocês. Bom, tudo começou com uma indicação de um amigo – o Rodrigo Albuquerque, que também frequenta muito aqui o blog. O Rodrigo havia passado pelo processo seletivo da F5 Networks e, ao saber que eu pensava em sair do Brasil, entrou em contato comigo. Me deu a dica que a empresa estava com várias posições em aberto e que estavam meio que desesperados em busca de profissionais qualificados. Haviam vagas interessantes na Inglaterra – meu país de escolha e a F5 me pareceu uma boa opção.

 

Eu tenho que ser honesto aqui: Eu jamais havia trabalhado em um vendor e, para complicar, minha vivência com produtos da F5 até este momento era praticamente nula. Eu sabia superficialmente o que a F5 fazia, mas não conhecia sua linha de produtos e tampouco como eles operavam.

 

O Rodrigão me passou o contato da recrutadora e eu fui atrás dela no LinkedIn. Pedi para adicioná-la em minha rede e enviei uma mensagem para ela, explicando meu interesse na empresa e em eventuais vagas. Isso aconteceu precisamente no dia 06 de Agosto de 2014. Abaixo, a mensagem que enviei à Paula – a recrutadora – na época, e a resposta dela (que ocorreu praticamente na sequencia).

 

paula

 

PS: Sim, eu tenho passaporte italiano e isso ajuda MUITO. Mas mesmo quem não tem (como o Rodrigão, quem me indicou a vaga) tem grandes chances de se empregar por aqui. Não deixem a falta do passaporte desanima-los. Se vocês forem bons, poderão conseguir abocanhar uma boa vaga. Mais adiante vamos entrar nestes detalhes.

 

O que fiz na sequência – antes mesmo de rever as vagas em aberto e escolher uma que melhor se adequasse aos meus anseios – foi estudar rapidamente a empresa, sua linha de produtos e as aplicações mais comuns dos mesmos. Dediquei uns 2 dias para isso. Percebi, durante este processo, que estava me metendo com algo que eu não tinha know-how. Modéstia a parte, com quase 20 anos de experiência nas costas, eu conheço razoavelmente bem redes. Conheço TCP/IP, routing & switching, MPLS, redes de transporte, IPv6, collaboration, redes wireless, enfim… até que dá um caldo, vai 🙂

Mas, estudando a F5, percebi que o buraco era mais embaixo. Aliás, mais em cima. A coisa guinava mais para a camada 7 (aplicação) e não tanto para as camadas inferiores – que era onde a maior parte da minha experiência estava concentrada. E isso poderia ser um problema. Por outro lado, eu imaginava que a Paula – a recrutadora – havia lido meu perfil no LinkedIn. E, ainda assim, me pediu para enviar um CV atualizado e as vagas que eu poderia ter interesse. E isso, para mim, era um sinal positivo. E assim, foi. Eu acessei o site da empresa e comecei a fazer uma triagem das vagas em aberto – e olha, eram MUITAS. Tinha vagas nos EUA, América Latina, Europa, Austrália… enfim… muitas opções. Para UK, lembro de umas 20 vagas em aberto. E aí, vem um momento interessante do meu processo: A escolha da vaga.

Em minha carreira, eu passei a maior parte do tempo trabalhando em operadoras em cargos de engenharia ou consultoria. Antes de sair do Brasil, meu último emprego havia sido na Embratel (hoje Claro), onde havia trabalhado como Consultor Senior de Tecnologia e Operações (chique o cargo, não?). Eu gostava, e muito. Meu trabalho envolvia projetar e acompanhar a implementação de redes IP de grande porte Brasil afora. Bom, tendo isso em mente, vinha a pergunta: O que raios eu poderia fazer em um fabricante, ainda mais sem entender “picas” sobre o que eles fabricavam??? As vagas em aberto na F5 UK, ne época:

  • 5 vagas para consultoria
  • umas 10 vagas para suporte
  • Umas 5 vagas para gerente de contas
  • Algumas vagas fora do escopo (como contabilidade, financeiro e afins)
  • UMA vaga para “Senior Technical Trainer”

Entrei em cada uma das vagas e li com atenção o Job Role e os requisitos para cada uma. TODAS – sem exceção – pediam algum nível de experiência prévia com produtos da F5 – nada mais lógico, certo? E eu não tinha.

  • Eu não poderia ser consultor, pois o nível de experiência requerido com os produtos F5 era extremamente elevado.
  • Suporte… bom, digamos que não era minha praia. Após 20 anos trabalhando com tecnologia, minha cota com suporte já havia chegado ao limite.
  • Gerente de contas… era até algo que eu consideraria, mas não como 1a opção. Deixei como um “coringa”.
  • Technical Trainer. Esta foi a vaga que me seduziu. Eu trabalho com treinamento e educação desde 2003. E sempre adorei isso. Os requisitos eram um pouco elevados, mas eu tinha quase todos – menos experiência com o produto. E, para deixar a coisa mais complicada, havia apenas UMA vaga. Parecia um tiro no escuro, sem grandes chances de vingar. Pensei: “Os caras NUNCA vão querer contratar um cara sem experiência nos produtos deles para ensinar seus clientes como usar estes produtos!”. Mas, como me identifiquei demais com a vaga, achei que valia tentar.

E assim, teve início um dos processos seletivos mais críticos da minha vida. Enviei para a Paula – a recrutadora – meu CV atualizado e informei a vaga que eu gostaria de disputar. A resposta dela veio menos de 1 hora depois, pedindo minha agenda para eu participar do que seria a 1a fase de um processo seletivo que terminaria após a 4a. Seria uma entrevista técnica por telefone, com ela mesma, com duração de cerca de 40 minutos. Marcamos para o dia seguinte, ao meio-dia (horário Brasil).

Percebam como as coisas aconteceram rápido: Entre mandar o e-mail e agendar a 1a entrevista, se passaram apenas algumas horas.

Eu sei que vocês vão querer me matar, mas vamos parar por aqui, hoje. Senão este post vai ficar gigantesco. Prometo escrever mais amanhã entrando nas etapas do processo até a conclusão do mesmo.

Espero que estejam gostando!

Abs

Marco Filippetti



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8 comentários

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  1. dsoliveira

    Ansioso para os próximos… Nossa Marco se conhece razoavelmente redes, eu não sei nada…rs

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  2. Frederico Guilherme

    Marco,

    Muito legal mesmo esse post, legal ter criado esse roteiro, acho muito interessante o tema e a forma que está tratando.

    Att,
    Fred

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  3. jeancog84

    Muito bom, realmente foi tudo muito rápido, sempre pensei que por lá existiam muitos profissionais nessas áreas e não precisassem procurar pessoas de fora, pois acho que trazer alguém de fora tenha algum custo superior para eles (não sei se em todos os casos eles ajudem com custos de mudança).

    Acho que ter uma cidadania européia ajuda muito, visto que boa parte das dificuldades que uma pessoa que como eu não tenho irá enfrentar. Seus relatos da velocidade em que as coisas aconteceram deixam um certo ânimo em tentar pra valer.

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  4. Willian Bellini

    Parabéns pelo post Marcos. É muito bom ler as experiências de quem já fez algo que tb desejamos, isso cria uma rede muito poderosa. OBRIGADO… E aguardando os demais posts viu!!!
    Deus te abençoe…

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  5. Renato Silva

    Show Marcos estamos atento ao próximo post.

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  6. ferrugem

    Sensacional essa história… Conheço um pouco dessa história e tenho certeza que essa série vai ficar show! Sua história de vida é muito legal Marco! Desde aquele post contando um pouco da sua história de vida lá no comecinho, passando por todas as mudanças recentes da sua vida e essa última de ir morar fora do Brasil e levar toda sua família. História de vida inspiradora.. Perfil de vencedor que me inspira e que, com certeza, inspira muitos outros aqui no Blog! 🙂 Parabéns Marco! Grande abraço!

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  7. Fabio Ribeiro

    Olá Marco,

    Muito bacana essa guinada e melhor ainda você dividir essa história de mudança conosco, acredito que muitos pensam em sair do Brasil devido aos últimos acontecimentos. Entretanto, eu gostaria de ressaltar um ponto em questão. De fato, tudo aconteceu bem rápido após seu contato, como relatou no texto e demonstrou no e-mail enviado, porém indago sobre uma questão. Será que a mesma agilidade teria ocorrido, caso não tivesse mencionado o fato de possuir o passaporte italiano?

    Um abraço, sorte aí em UK, e caso ainda não tenha ido, não deixe de conferir o restaurante brasileiro “Cabana” no shopping Westfield em Stratford.

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  8. Dean

    Aguardando o próximo capítulo! 😀

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