Tutorial OSPF – Parte 4

Seguindo a série de artigos sobre o protocolo OSPF, nesta parte 4 falaremos de multi-area e virtual links.

Espero que gostem 😉 !

OSPF Multi-area

O protocolo OSPF possui algumas restrições quando mais de uma área é configurada. Se apenas uma área existe, esta área é SEMPRE a área 0, chamada de “backbone area”. Quando múltiplas áreas existem, uma destas áreas tem que ser a área 0. Uma das boas práticas ao se desenhar redes com o protocolo OSPF é começar pela área 0 e expandir a rede criando outras áreas (ou segmentando a área 0).

A área 0 deve ser o centro lógico da rede, ou seja, todas as outras áreas devem ter uma conexão física com o backbone (área 0). O motivo disso é que OSPF espera que todas as áreas encaminhem informações de roteamento para o backbone, e este, por sua vez, se encarrega de disseminar estas informações para as outras áreas. O diagrama abaixo ilustra o fluxo de informações em uma rede OSPF.

ospf1.jpg

No diagrama acima, todas as áreas possuem uma conexão direta com o backbone. Em situações raras, nas quais não é possível estabelecer uma conexão direta com a área 0, um link virtual (virtual link) deve ser estabelecido. O link virtual OSPF é como uma “VPN” que integra uma área que não tem como se conectar diretamente ao backbone, através de uma área diretamente conectada a ele. É importante ressaltar que o artifício de “virtual links” é paliativo, ou seja, ele resolve um erro de design, e deve ser encarado como uma solução temporária.

Seguindo o diagrama, observem os diferentes tipos de informações que são trafegadas. Informações sobre rotas que são geradas e utilizadas dentro de uma mesma área são chamadas de “intra-area routes”, e são precedidas pela letra “O” na tabela de roteamento. Rotas que são originadas em outras áreas são chamadas de “inter-area routes”, ou “summary-routes”. Estas são precedidas por “O IA”, na tabela de roteamento. Rotas originadas por outros protocolos de roteamento e redistribuídas em uma rede OSPF são conhecidas por “external-routes”. Estas são precedidas pelas letras “O E1” ou “O E2”, na tabela de roteamento. Quando temos múltiplas rotas para um mesmo destino, o critério de desempate em uma rede OSPF obedece a seguinte ordem: intra-area, inter-area, external E1, external E2. Falarei das 2 últimas (E1 e E2) mais adiante.

Virtual Links

Como já foi mencionado, links virtuais são artifícios utilizados para conectar áreas discontíguas ao backbone. A figura abaixo ilustra um exemplo.

ospf2.jpg

No exemplo acima, a área 1 não tem conexão direta com o backbone (area 0). Um link virtual foi então estabelecido para criar uma conexão virtua entre as áreas 1 e 0, através da área 2. A configuração de um link virtual é relativamente simples, e é ilustrada abaixo:

RTA(config)#router ospf 10
RTA(config-router)#area 2 virtual-link 2.2.2.2

RTB(config)#router ospf 10
RTB(config-router)#area 2 virtual-link 1.1.1.1

Considere que 2.2.2.2 e 1.1.1.1 sejam os endereços IP de interfaces loopback configuradas nos routers RTA e RTB, respectivamente. Lembrando que, em uma rede OSPF, endereços IP em loopbacks são preferidos para a definição do RID (router ID).

Um outro uso para links virtuais em uma rede OSPF é conectar 2 backbones discontíguos, como ilustra a figura abaixo.

ospf3.jpg

A situação acima pode ocorrer, por exemplo, no processo de integração de redes entre 2 empresas que acabaram se fundindo, por exemplo. No exemplo, duas áreas 0 (backbones) são interligados por meio de um link virtual.

Na próxima parte deste tutorial (parte 5), falaremos sobre Neighbors e Adjacências. Aguardem!

Um abraço!

Marco Filippetti



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11 comentários

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  1. Ótima didática e muito bem explicado.

  2. Marco qual seria o maior problema dos Virtual Links ?

    Abraços, Rafael Venancio

  3. Grande post Marco, vou deixar aqui também duas dicas nao só usadas em exames como em integraçao na vida real. Primeiro vale lembrar que o virtual-link é estabelecido sempre contra um router-id (o mesmo é escolhido de forma automática pela IP de loopback mais alta), entao é sempre bom configurar de forma manual os router-id, sao o que os gringos chamam de “hard code the router-id” que nao é nada mais nada mesmo que dentro do dominio do ospf colocar o comando, por exemplo:

    interface loopback 0
    ip address 1.1.1.1 255.255.255.0

    router ospf 1
    router-id 1.1.1.1

    Nesta caso voce esta a salvo que se em um futuro voce se ve obrigado a configurar um outro loopback por exemplo, interface loopback 1
    ip address 192.168.1.1 255.255.255.0 (neste caso o router-id do ospf nao mudará de 1.1.1.1).

    Outra dica é que virtual links nao funcionam se devem passar por um NSSA (Not-so-Stubby-Area), entao neste caso se voce precisa conectar duas áreas onde a área de transito é um NSSA pois a soluçao seria criando tunnels GRE entre os dois routers, já que o tunnel gre iria ver a outra ponta como diretamente conectada e funcionaria a conexao de áreas.

    A última dica é que virtual link só funciona se voce possui um custo menor que 65535 na interface, imagina que se por alguma razao o comando “ip ospf auto-cost reference-bandwidth” é mudado dentro da área do ospf para algo que faça que o custo de um virtual seja maior que 65535, o Virtual-Link sempre estaria Down.

    Bem acho que é tudo por enquanto.. Abs

  4. Graaaaande Anderson! Seus comments são sempre bem-vindos!

    Abs do Brasil 😉

  5. Toguko, a utilização dos VL vai contra a arquitetura básica do OSPF, que é a criação de áreas adicionais margeando a área 0. O Anderson, acima, citou alguns problemas / limitações que podem ocorrer.

    Abs!

  6. Gostei muito do tutorial, pequeno texto, mas ensina muito!

    E muito obrigado pelas dicas posteriores Anderson!

    Abraço

  7. Valeu, obrigado pelas dicas.

    Abraços

  8. Parabéns Marco pelo post! E Anderson pelo comentário!

    Excelente!

    []’s

  9. Show de bola Marco, tô só guardando esse material para fazer um overview e dar um gás no BSCI ano que vem…e por falar nisso, vc vai se aprofundar mais em OSPF, em nível mesmo de CCNP?

    Abçs!!

  10. Parabens pelo post!
    Sao de grande interesse para quem esta estudando pro CCNP.

  11. ok

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