Afinal, o que é um Sistema Autônomo (AS)?

Esta dúvida surgiu durante o curso CCNA online, e a considero bastante pertinente, já que imagino ser a dúvida de muitos que se aventuram pelo mundo de redes. Quando começamos o estudo de protocolos de roteamento, aprendemos que existem protocolos do tipo IGP (Interior Gateway Protocols), desenhados para atuação dentro de um mesmo Sistema Autônomo (AS), e também existem os protocolos do tipo EGP (Exterior Gateway Protocols), desenhados para a comunicação entre sistemas autônomos distintos. Em muitos casos, a explicação cessa aí. E para muitos, fica no ar a questão: “Muito bem… mas o que diacho é um sistema autônomo???”. O objetivo deste post é explicar o conceito de AS para os que ainda não pegaram esta idéia e, de quebra, ajuda-los a compreender a diferença entre os protocolos IGP (como o RIP, OSPF, ISIS e EIGRP), e EGP (como o BGP4 ou o ISO-IDRP).

O conceito de AS (autonomous systems) nasceu juntamente com a Internet. As mais diversas definições podem ser encontradas na net, usando o Google, por exemplo. Todas apontam na mesma direção: “Um AS pode ser definido como uma rede ou um conjunto de redes sob uma gestão comum”. Bom, isso é uma definição, de fato. Mas… não ajuda muito, ajuda? Muitos, quando lêem esta definição, pensam: “Ah, OK! Mas… afinal… o que é um AS mesmo?!”. Ou seja, a definição “oficial” de AS é um tanto quanto ampla. Especificamente para quem está começando, esta definição ainda é um tanto quanto abrangente. Não deixa muito claro o conceito. Então, vamos tentar melhorá-la.

“Um AS seria uma rede ou um conjunto de redes que, além de se encontrarem sob uma gestão comum, possuem características e políticas de roteamento comuns”. Para esclarecer esta definição, vamos exemplificar 😉 !

Imagine que você trabalhe em uma empresa que encontra-se em franco crescimento. No momento, esta empresa possui 2 filiais e uma matriz, e todo o acesso IP Internet é centralizado nesta última. Como é de praxe em casos como este, suponha que esta empresa precise de IPs válidos para endereçar alguns servidores de acesso público (de pessoas que se encontram na Internet), como um servidor Web ou e-mail. Estes IPs seriam disponibilizados pelo provedor de acesso (chamado de ISP) e, portanto, seríamos vistos pela Internet como uma extensão do AS deste ISP. Em suma, teríamos algo como o diagrama abaixo:

isp1.gif

Observem que, na Internet, temos uma série de ASs distintos, cada qual recebendo um número único de identificação. O AS de nosso provedor Internet é número 1122 e, como estamos usando os IPs válidos fornecidos por este provedor e, por consequência, estamos sujeitos às políticas de roteamento e gestão deste ISP, nossa empresa é vista pelo mundo externo (na Internet) como uma extensão do AS de nosso ISP, ou seja, AS number 1122.

Suponhamos, agora, que as necessidades de conectividade de nossa empresa ficaram mais complexos, dado o crescimento da mesma. Agora, como forma de ter uma saída redundante de tráfego IP, nossa empresa pensa em contratar um segundo acesso, mas de um provedor distinto, chamado de “ISP 2”. Até aqui, tudo bem… mas… existe uma necessidade adicional: Que tanto a saída quanto o retorno do tráfego seja balanceado entre estes dois links, dos 2 ISPs. Bom, se não temos um range de IP válido (chamado de “blocos” ou “prefixos”, neste cenário) próprio e continuarmos nos submetendo às políticas de roteamento do ISP 1 e, agora, também do ISP 2, não temos como definir políticas próprias de roteamento de forma a definir como este tráfego deve fluir. Na verdade, até podemos controlar a saída do tráfego, mas o retorno do mesmo ainda fica nas mãos dos dois ISPs. Ou seja, se não conseguirmos nos desvincular dos dois ISPs e obter nossa independência, jamais vamos ter completo controle de nosso tráfego e, portanto, jamais conseguiremos controle total do balanceamento. Qual a solução, então? Declaramos nossa independência! Vamos solicitar um número de AS e ranges de IP próprios para então, rodando BGP (ou outro EGP), anunciarmos para o mundo como nós queremos ser vistos. Quais redes saem por qual conexão. E quais retornam por qual. Tudo isso é possível via BGP, desde que você tenha um ASN e prefixos IP próprios.

Nosso diagrama ficaria assim, portanto:

isp12.gif
Notem que, agora, temos um ASN próprio (2222), nosso próprio bloco de IPs válidos e rodamos BGP com ambos os ISP (isso é chamado de BGP Multihoming). Ou seja, somos uma rede completamente independente para o mundo externo (quem quer que esteja na Internet). E… isso seria uma definição um pouco mais detalhada de AS!

E agora… entendido…? Ou não? 😉

Um abraço pessoal!!

Marco.



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