Cisco Unified Communications Manager Express – parte I

Prezados, este é o nosso post I sobre CUCME (Cisco Unified Communications Manager Express). Neste post vamos abordar temas fundamentais e teóricos para compreendermos como este produto surgiu, como ele evoluiu e quais foram suas principais características desenvolvidas. Além disso, iremos apresentar uma visão geral de seu papel desempenhado nas infra-estruturas de redes convergentes. Assim, vamos adiante…

CRONOGRAMA

Parte I
Introdução
Histórico
Principais features
Estrutura básica do CUCME

Parte II
Visão geral sobre o CUE
Implementando o CUCME
Integrando o CUCME com o CUE
Integrando o CUCME com a telefonia tradicional

1. Introdução

O CUCME (Cisco Unified Communications Manager Express) é uma aplicação de PABX IP puro de propriedade da Cisco, ele é “express” pelo fato de se tratar de uma versão limitada em relação a versão “FULL”, o CUCM (Cisco Unified Communications Manager). O CUCME é responsável pelo controle de processamento de chamadas de Telefonia IP / UC, ele é habilitado diretamente em IOS’s dos roteadores das linhas que suportam recursos de VoIP/Telefonia IP. Apesar de ser considerado um “PABX IP puro”, ele possui total interoperabilidade com o mundo analógico e digital.

O CUCME atende desde de pequenas empresas, até médias ou grandes empresas. Através dele é possível criar cenários centralizados ou distribuídos de Telefonia IP ou mesmo em ambiente multi-distribuído fisicamente.

Para aqueles que já conhecem ou pelo menos já ouviram falar da versão FULL, já percebem grandes diferenças em relação a versão EXPRESS em termos de manuseabilidade. Pois apesar de ambos possuirem acesso via GUI baseado em Web, o CUCME ainda hoje deixa muito a desejar em relação ao seu acesso via WEB, pois não é possível utilizar nem 10% das features do produto através da GUI. Assim, o CUCME é configurado praticamente via CLI, portanto é até desejável que o recurso via WEB seja desabilitado.

A Cisco entrou nesse mercado em 1998 e foi justamente nesse ano que surgiu o primeiro “CUCME”, sendo que ele era chamado de ITS (IOS Telephony Services). A seguir, iremos relatar um pouco do histórico desse PABX IP.

 

2. Histórico

O gráfico abaixo nos mostra a evolução do CUCME fazendo uma referência entre os IOS’s vs o decorrer dos anos.

historico_ccme

Como vimos, a última versão do ITS foi a 2.1, depois disso esse sistema de PABX IP da Cisco foi patenteado de CCME (Cisco Call Manager Express), tendo como sua primeira versão o CCME 3.0. Daí para frente ocorre uma evolução circunstancial até que em 2007 o produto foi renomeado e, assim, foi lançado o primeiro CUCME (Cisco Unified Communications Manager Express).

Durante o período de evolução, várias e várias características técnicas foram adicionadas ao produto. Assim, dentre as principais features com base na versão, destacamos:

– ITS 1.0 – COR, NTP, VoFR, VoATM, VoIP H323.
– ITS 2.0 – MOH, TCL e integração com o Unity.
– ITS 2.0.1 – Suporte ao serviço de diretórios internos.
– ITS 2.1 – O comando “reset” foi modificado pelo comando “restart”.
– CCME 3.0 – Hunt Groups, DND, Call Pickups, Label (IOS 12.2 e 12.3(4)T).
– CCME 3.1 – Call Park e Suporte ao IP Conference Station 7936 (12.3(7)T).
– CCME 3.2 – Trancoding entre G711-G729, DNIS, Translate Profile.
– CCME 3.2.1/3.2.2/3.3 – Início e evolução do B-ACD (IOS 12.3(14)T).
– CCME 3.4 – Suporte para telefones IP com SIP.
– CCME 4.x – MOH para ligações internas/externas, os recursos de conferência possibilitaram a desconexão do grupo ou apenas parte dos participantes, suporte ao IP Communicator e suporte a FAX.
– CUCME 7.x – A evolução da espécie… Agora esse conceito de Telefonia IP ficou para “trás”, o negócio agora é all-in-one através das comunicações unificadas. . Além disso, essa versão trouxe melhorias circunstanciais para o ambiente de administração via GUI, mas mesmo assim a idéia ainda está limitada.

É válido citar, que com o decorrer dessa evolução, novos Telefones IP’s também foram sendo fabricados e suportados com base na versão corrente dos ITS’s ou CCME’s ou CUCME’s. Só a título de exemplo, o tradicional ATA 186 foi suportado desde o ITS2.0.1.

O PABX IP da Cisco, tendo como referência sua versão express, percebemos tamanha robustez que o tornam um bem mais completo e integrado do que um simples PABX IP.

Como vimos, foram mencionadas algumas características técnicas do PABX IP da Cisco, assim, para que possamos nos familiarizar ainda mais ou para fazermos uma pequena revisão, iremos discuti-las a seguir.

3. Principais features do ITS/CCME/CUCME

Agora iremos mencionar alguma características técnicas (features) do PABX IP da Cisco, contemplando um pequeno trecho explicativo.

COR: É o acrônimo para Class-on-Restrictions, este recurso restringe chamadas de I/O (entrada ou saída). Por exemplo, para certos usuários seria proibido discar para qualquer que seja o 0300*** ou mesmo receber qualquer ligação feita à cobrar 9090***. Este recurso é bem interessante e é aplicado diretamente nos dial-peers.
MOH: Music-on-hold, trata-se da música de espera. Normalmente o arquivo possui extensão .au, esse formato de arquivo de som é tradicionalmente usado por programas de Unix e Unix-Like, mas também é adotado como formato de áudio padrão para a linguagem Java.
DND: Do-not-Disturb, o nome já diz tudo!
Call Pickup: recurso para capturar chamada de outro telefone ou grupo.
Hunt-groups: recurso que manipula uma sequência de ramais para chamadas, ou seja, há como deixar os telefones de um departamento tocando simultaneamente, serialmente ou até mesmo de modo circular.
TCL (Tool Command Language): linguagem de script para customizar recursos de IVR (Interative Voice Response)
DNIS: Suporte ao serviço de diretórios internos, com ele é possível criar uma agenda contendo ramal/número e nome.
Call Forward: é o recurso responsável pelo encaminhamento de chamadas. Também é conhecido como o famoso “siga-me”.
IP Communicator: não seria bem uma característica… mas sim o Softphone da Cisco. É válido lembrar que a Cisco também já teve um produto chamado Softphone, entretanto ele foi descontinuado no final de 2005. O IP Communicator é baseado no hardphone IP Phone 7970. Abaixo temos uma ilustração do IP Communicator integrado ao Cisco VT Advantage (câmera).

ipc

Ele é suportado pelos protocolos SCCP (Skinny Call Control Protocol) e também SIP (Session Initiation Protocol), sendo que se for necessário habilitar o recurso de VT-A (vídeo) será necessário utilizar obrigatoriamente o SCCP, pois o IP Communicator não suporta vídeo sobre o protocolo SIP.

4. Estrutura básica do CUCME

4.1. Arquivos do CUCME

– Arquivos base: normalmente eles possuem uma extensão .tar que contém alguns firmwares básicos dos telefones e também arquivos para a GUI do produto. O procedimento técnico para extrair esses arquivos é o mesmo de qualquer outro arquivo .tar utilizado nos produtos da Cisco. Assim, o comando seria esse: # archive tar /xtract source-url flash:/<dir>, onde o source-url normalmente utiliza-se via tftp.

– Firmwares dos Endpoints: eles possuem extensões .sbn e .bin. A Cisco recomenda a utilização de arquivos .sbn, pois eles são assinados e homologados (sbn = signed binary), já o .bin trata-se do unsigned.

– Arquivos XML: são os templates de configuração dos telefones, onde é possível ocultar ou habilitar certos recursos ou teclas ou softkeys dos endpoints de Comunicações Unificadas.

4.2. Dimensionamento

– Os CUCME’s são extremamente flexíveis em relação a sua configuração de desenho para atender a soluções integradas de Telefonia IP ou mesmo de Comunicações Unificadas. Dependendo da plataforma teremos uma quantidade “X” de endpoints IP’s suportados. Abaixo, encontra-se a plataforma e o quantitativo de endpoints suportáveis:

plataformas

É válido citar que essa tabela tem como referência o CUCME 7.1.

4.3. Building Blocks

Para entedermos como alocar os telephones IP’s ou os endpoints IP, devemos saber que o CUCME utiliza o conceito de Building Blocks, através de dois recursos básicos que são os ephones e os ephone-dn’s.

Certo, mas o que seriam esses ephone(dn)’s? Vamos abordá-los:

ephone: trata-se de Ethernet Phone. É a estrutura que representa um endpoint-ip instrumental, podendo ser físico no caso dos hardphones ou lógico, no caso dos softphones. É nele onde é atribuído o mac-address do dispositivo a ser gerenciado e controlado. Assim, cada ephone pode ter multiplas extensões associadas em relacionamentos um-para-muitos ou muitos-para-muitos. O número máximo de ephones representa justamente o número máximo de telefones suportados com base no dimensionamento.

ephone-dn: trata-se de Ethernet Phone Directory Number, ele representa um ou mais linhas que conectam a um canal de você através da lógica que um usuário faz para criar e receber chamadas. Esse comando cria automaticamente uma porta de voz virtual que pode ser associada para um ou mais dial-peers’s. O ephone-dn possui os seguintes modelos:

Single-line (padrão): onde um ephone é associado para um ephone-dn. O problema maior deste tipo, é que apenas uma linha por vez é suportada, assim, se houver uma chamada secundária para um número do qual já está alocado, resultará em linha ocupada.
Dual-line: onde um ephone-dn “dual-line”, ou seja, com suporte a duas linhas, assim, o problema do single-line já é resolvido :).
Shared ephone-dn: atrela dois ou mais ephones a um só ephone-dn.
Overlaid ephone-dn: é justamente o inverso do conceito do shared, ou seja, ele atrela dois ou mais ephone-dns a um só ephone.

 

Além desses, ainda é possível atribuir dois ou mais ephone-dn’s com um só número ou mesmo mesclar tipos diferentes de ephone-dn’s. A título de comando para a realização dessa modelagem utilzamos o comando “button” que deve ser utilizado dentro do ephone.

A nível de sintaxe, teríamos o seguinte exemplo básico:

Cisco2851(config)#! criando um e-phone
Cisco2851(config)# ephone-dn 1 dual-line
Cisco2851(config-ephone-dn)# number 1234

Cisco2851(config-ephone-dn)# description Ephone-dn-teste1
Cisco2851(config-ephone-dn)# name IP_PHONE_BLOG_CCNA
Cisco2851(config)# ephone-dn 2 dual-line
Cisco2851(config-ephone-dn)# number 1235
Cisco2851(config-ephone-dn)# description Ephone-dn-teste2
Cisco2851(config-ephone-dn)# name IP_PHONE_BLOG_CCNA2
Cisco2851(config)#ephone 1
Cisco2851(config-ephone)#mac-address 0123.4567.89A0
Cisco2851(config-ephone)#type 7960
Cisco2851(config-ephone)#auto-line incoming
Cisco2851(config-ephone)#button 1:1 2o2

Recomendamos para os que tentarem fazer esse pequeno teste em LAB, ao digitar o comando base, utilizar o recurso da “?” para explorar mais as funções e sintaxes. No post II desta série abordaremos mais sobre implementações, inclusive detalhando cada comando,

Até mais,

Italo.



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